A crise política instalada em Rio Largo ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (2). A Justiça concedeu medida liminar suspendendo o Ato da Presidência da Câmara de Vereadores, que havia declarado a renúncia do prefeito Carlos Gonçalves (PP) e do vice, Peterson Henrique (PP), e determinado a posse do presidente da Casa, vereador Rogério da Silva, como chefe do Executivo municipal.
Na decisão, o juiz determinou a imediata recondução de Carlos Gonçalves e Peterson Henrique aos respectivos cargos de prefeito e vice-prefeito. A liminar foi concedida após análise dos argumentos apresentados pela defesa dos gestores, que sustentaram a inexistência de renúncia formal e denunciaram tentativa de golpe político por meio de documentação falsificada.
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“Concedo a medida liminar para determinar a suspensão da eficácia do Ato da Presidência da Câmara de Vereadores de Rio Largo/AL, n. 01/2025, proferido no dia 31/03/2025, e reconduzir os impetrantes Pedro Carlos da Silva Neto e Peterson Henrique da Silva Santos aos cargos de prefeito e vice-prefeito”, diz o trecho da decisão.
O magistrado também notificou o presidente da Câmara para que preste esclarecimentos em até dez dias, conforme prevê a Lei do Mandado de Segurança (Lei nº 12.016/2009). O Ministério Público será ouvido após esse prazo, antes da sentença final.
Entenda o caso
Na segunda-feira (31), a Câmara de Vereadores de Rio Largo surpreendeu a população ao anunciar a renúncia do prefeito e do vice-prefeito. Durante sessão extraordinária, as supostas cartas de renúncia teriam sido lidas em plenário, e o presidente da Casa, Rogério da Silva, chegou a assinar termo de posse como prefeito interino.
Pouco depois, Carlos Gonçalves negou as informações publicamente, classificando o documento como falso e acusando tentativa de golpe institucional. “Não renunciei ao meu mandato, e nunca irei renunciar. Essa carta é falsa, fruto de uma tentativa criminosa de golpe!”, declarou em nota oficial.
O episódio gerou grande repercussão política e jurídica. Parlamentares, juristas e lideranças políticas, como o senador Renan Calheiros (MDB), saíram em defesa do prefeito, exigindo investigação sobre a possível falsificação das cartas de renúncia.
Desfecho temporário
Com a liminar em vigor, Carlos Gonçalves retoma a chefia do Executivo, mas o caso segue em análise judicial. A decisão não é definitiva, e o mérito ainda será julgado após a manifestação da Câmara e do Ministério Público. Enquanto isso, o município tenta retomar a normalidade administrativa em meio à instabilidade provocada pelo episódio.



