A discussão entre o jornalista Paulo Vinícius Coelho e o presidente do Sport, Yuri Romão, escancarou algo muito maior que um simples embate de opiniões: revelou a dificuldade de parte da cartolagem brasileira em lidar com a crítica qualificada e com o jornalismo que pensa — não o que bajula.
PVC foi brilhante. Representou uma classe que, quando faz jornalismo de verdade, incomoda. Apontou contradições que poucos têm coragem de tocar: clubes que aprovam ligas, recebem dinheiro, apertam a mão da TV… e depois reclamam dos horários dos jogos, dos regulamentos, das arbitragens. Como se não fizessem parte do sistema.
O mais grave foi ouvir, como argumento, a acusação de “ativismo político”. Quando o dirigente abandona o debate racional e parte para o rótulo, é porque não tem argumento — tem medo de perder o controle da narrativa.
O futebol brasileiro não precisa de bajuladores com microfone. Precisa de jornalistas que pensem, questionem e não aceitem ser tratados como culpados por falar a verdade. PVC só fez o que muitos deveriam fazer: mostrar que não dá pra ser cúmplice e depois bancar a vítima. O Jornalismo esportivo não é assessoria de imprensa.
A pergunta que fica: até quando vamos seguir aceitando esse jogo onde quem erra aponta o dedo, e quem denuncia vira o vilão?



