Vizinho encontrando bolinha de papel com pedido de socorro — Foto: Reprodução/RPC
Uma câmera de monitoramento registrou o momento em que Bruno Sanroman dos Reis encontra os bilhetes com pedido de socorro jogados por mãe e filha que foram salvas de cárcere privado em Pinhais na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Daniely do Rocio Santana e Terezinha Santana, de 52 e 88 anos, foram mantidas em cárcere por 48 horas, entre 10 e…
Uma câmera de monitoramento registrou o momento em que Bruno Sanroman dos Reis encontra os bilhetes com pedido de socorro jogados por mãe e filha que foram salvas de cárcere privado em Pinhais na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
Daniely do Rocio Santana e Terezinha Santana, de 52 e 88 anos, foram mantidas em cárcere por 48 horas, entre 10 e 12 de julho. O suspeito do crime é Clauber Gandra Severino, casado com uma prima e sobrinha das vítimas. A investigação aponta que ele cometeu o crime porque precisava de dinheiro.
“As bolinhas de papel, eu achei que era lixo das crianças brincando de estilingue, ou que elas estavam brincando de jogar bolinha uma na outra. E aí eu fui pegar essas bolinhas e abri. Quando eu abri, vi um pedido de socorro. Foi um susto, né?”, disse Bruno, que é vizinho das vítimas.
Nas imagens é possível ver o momento em que Bruno, que é inquilino das vitimas, encontra os bilhetes e olha para cima. Em entrevista exclusiva à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, ele contou que, assustado, saiu do prédio, foi até uma padaria e voltou cerca de 15 minutos depois.
Na volta, Bruno encontrou outra vizinha no portão. Juntos, fizeram o que a vítima pedia no bilhete: acionaram a síndica do condomínio sem chamar atenção.
A síndica, então, ligou para a polícia e acionou um policial militar que mora no prédio. Ele também ajudou a impedir a fuga do suspeito.
“A sensação de que elas estavam bem só foi cair quando a gente estava na delegacia. Quando o policial disse que elas tinham ido para UPA e que já estavam medicadas, acho que esse foi o momento que me deu aquele respiro”, lembrou Bruno.
Até a última atualização desta reportagem, Clauber não tinha defesa constituída e permanecia preso.
Suspeito é casado com parente das vítimas
Mãe e filha ficaram em cárcere de 10 a 12 de julho — Foto: Reprodução/RPCSegundo Daniely, Clauber é casado há 19 anos com uma prima dela. Entre fevereiro e junho de 2023, o casal chegou a morar em um apartamento das vítimas, no mesmo prédio. Segundo Daniely, a relação entre as famílias era próxima.
“Nós tínhamos uma relação boa, de família mesmo. A gente era uma família, entendeu? Almoçava às vezes, passava o Natal juntos, uma Páscoa juntos. várias vezes. A gente passava na casa da mãe dela, né? Então era uma amizade boa”, explicou.
Daniely afirmou ainda que o casal não pagou aluguel durante o período em que viveu no apartamento, o que motivou o pedido para que deixassem o local. A partir disso, segundo ela, a relação entre os familiares mudou.
Desde 2023, Daniely contou que não teve mais contato com Clauber e com a esposa dele. Ela acreditava que o suspeito havia devolvido as duas tags — dispositivos eletrônicos que destravam as portas do prédio —, mas, como apontam as investigações, manteve uma delas, o que permitiu que ele entrasse no local sem levantar suspeitas.
Suspeito se escondeu nas escadas, diz delegado
No dia 10 de julho, Clauber usou a tag para acessar o prédio. Segundo o delegado Gustavo Alves, o suspeito se escondeu na escada do prédio e esperou Daniely sair.
Daniely foi até a farmácia e deixou a porta destrancada. Na sequência, Clauber entrou no apartamento, sem dona Terezinha perceber.
A vítima contou que, ao retornar para casa, encontrou Clauber escondido atrás da porta do banheiro. Neste momento, ele a segurou. Segundo a polícia, mãe e filha foram amarradas com abraçadeiras plásticas em um quarto.
“Colocou minhas mãos para trás e fiquei desde às 6 horas da tarde até quase meia-noite com a mão para trás, amarrada com a mão para trás”, lembrou Daniely.
Segundo a polícia, Clauber Gandra Severino obrigou as vítimas a preencher cheques, entregarem os cartões bancários e as senhas para sacar dinheiro.
“Eu entrei em desespero. Eu perdi o emprego, o meu apartamento foi para leilão. Sei que nada disso justifica o ato e tudo, mas não sei, eu infelizmente não sei o que aconteceu. A vida da gente toma uns rumos, sinceramente como vou pedir perdão para ti não vai adiantar”, disse Clauber em depoimento.
Segundo o delegado, o crime teve motivação financeira.
“As diligências continuam com o objetivo de verificar qual foi o montante de dinheiro que efetivamente ele sacou das vítimas. Ele obrigou que elas assinassem dois cheques, um no valor de R$ 8 mil e outro de R$ 50 mil, que não foram encontrados na abordagem policial”, explicou.
Clauber foi indiciado, na última sexta-feira (18) por cárcere privado e roubo agravado. O delegado explicou ainda que aguarda um laudo da Polícia Científica para entender se houve lesão nas vítimas.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.



