mundo curvou-se aos caprichos dos EUA quando dolarizou a economia mundial, tendo a moeda americana como um lastro, o horizonte a ser seguido, através do Acordo de Bretton Woods. Quase cem anos após o acordo, Trump percebeu que pode interferir na economia de outro país de forma brutal, usando tarifas e sanções comerciais como forma de conseguir…
mundo curvou-se aos caprichos dos EUA quando dolarizou a economia mundial, tendo a moeda americana como um lastro, o horizonte a ser seguido, através do Acordo de Bretton Woods. Quase cem anos após o acordo, Trump percebeu que pode interferir na economia de outro país de forma brutal, usando tarifas e sanções comerciais como forma de conseguir o que quer: as riquezas do país-alvo.
Nas palavras do ex-chanceler brasileiro Aloysio Nunes: “Trump age como o mafioso que quer comprar uma loja de alguém que não está querendo ceder ao preço que ele oferece. Ele joga uma bomba e depois diz ‘vamos negociar’ para tentar obter um preço menor. É o que aconteceu agora com a Europa.”
Acontece que o Brasil se tornou o grande alvo de Trump, principalmente, em razão de várias pedrinhas no sapato que o Brasil representa, dentre elas, as principais são:
- O PIX, uma modalidade de transferência instantânea e sem custos que está a beira da internacionalização (o PIX já é aceito em alguns países vizinhos, como Paraguai, Argentina e Uruguai);
- Os minerais críticos, cuja disponibilidade é limitada, pois são vitais para a indústria da nanotecnologia, fabricação de peças e equipamentos de última geração, bem como para assegurar a transição energética;
- Os subsídios do governo brasileiro aos agropecuaristas, já que o Brasil contribui mais de R$400 bilhões por ano (Plano Safra) para fomentar a produtividade nacional, desregulando a competição com o mercado interno dos países importadores;
- A condição de membro dos BRICS, pois Lula tem defendido, em conjunto com outros membros do bloco, a criação de uma nova moeda para utilizá-la em transações comerciais entre os países-membros, jogando o dólar para o desuso, além de outras medidas econômicas que tragam perdas para a economia norte-americana.
Trump percebeu que pode coagir os governos mundo a fora prejudicando o PIB do país-alvo. Acontece que o Brasil possui uma economia extremamente diversificada, e as exportações para os EUA representam 1,5% do PIB, diferente do México, que precisou se render aos caprichos dos norte-americanos — ou seja, a tarifa não é besteira, mas não é motivo de terror.
A negociação com o governo estadunidense não é fácil, pois há perdas para ambos os lados: 90% do mel brasileiro é exportado para os EUA, e há produtos que os EUA importam que são exclusivos do Brasil. Além disso, empresas norte-americanas (com a exceção do setor agropecuarista), clamam por exceções na guerra tarifária. O PIX também se tornou alvo dos norte-americanos em razão da perda de mercado das instituições financeiras.
Trump tem defendido nada mais, nada menos do que os interesses escusos e egoístas norte-americanos, expondo o que os estadunidenses realmente pensam do resto do mundo: que o que está fora dos EUA é apenas o seu quintal — e está vencendo a guerra comercial desta forma. Além disso, Trump ajudou a expor o que não era tão público: a desunião global em relação a assuntos econômicos, expondo a fragilidade das organizações comerciais (OCDE e OMC) em lidar com esses conflitos.
A organização da economia brasileira pode minimizar os danos da tarifa de Trump, mas é evidente que o Brasil precisará aproximar-se de Rússia e China, países-membros dos BRICS e adversários políticos de Trump, para atenuar ainda mais os danos — algo que causará ainda mais incômodo nos norte-americanos.
* Acadêmico de Direito (Colaborador)



