quarta-feira, março 18, 2026
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Brasil envia pela primeira vez generais como adidos militares na China; EUA eram único país a receber alto escalão militar brasileiro


Militares do exército americano desembarcando no Amapá – CORE 23 | Foto: CMN e 22ª Brigada de Infantaria de Selva/divulgação

Pela primeira vez na história o Brasil vai enviar oficiais-generais brasileiros para atuar como adidos militares na embaixada brasileira na China. Os Estados Unidos eram o único país a receber alto escalão militar brasileiro para tratar das relações militares. Os oficiais generais são os mais postos mais altos da carreira militar. Os adidos militares representam as…

Pela primeira vez na história o Brasil vai enviar oficiais-generais brasileiros para atuar como adidos militares na embaixada brasileira na China. Os Estados Unidos eram o único país a receber alto escalão militar brasileiro para tratar das relações militares.

Os oficiais generais são os mais postos mais altos da carreira militar. Os adidos militares representam as Forças Armadas e o Ministério da Defesa do Brasil junto às autoridades militares de outros países. Sua função principal é promover a cooperação militar, trocar informações e fortalecer os laços entre os dois países.

Embora o governo brasileiro não tenha citado a crise no relacionamento com os Estados Unidos como motivo para a aproximação com a China. A mudança ocorre no momento em que produtos brasileiros foram sobretaxados em 50%.

Decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fixou a lotação dos seguintes adidos na China:

  • um oficial-general do Exército como Adido de Defesa e do Exército;
  • um contra-almirante da Marinha como Adido Naval;
  • um coronel da Aeronáutica como Adido Aeronáutico;

Todos os designados também serão responsáveis pelas relações militares junto à Tailândi, ampliando o alcance diplomático militar brasileiro no sudeste asiático.

Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que a atitude representa um passo do governo brasileiro para diversificar fornecedores de equipamentos militares e reduzir dependência dos EUA.

“A ação indica maior profundidade na relação estratégica entre esses dois países, acho que esse é o primeiro ponto. Reflete o interesse mútuo em ampliar um diálogo que historicamente era mais de cooperação técnica”, afirma o professor de relações internacionais Rodrigo Amaral, da PUC-SP.


A prioridade dada aos Estados Unidos até este ano é reflexo da histórica relação e dependência estratégica, doutrinária e tecnológica do Brasil em relação ao aparato militar norte-americano.

De acordo com especialistas, o envio dos oficiais-generais à China representa um novo posicionamento do Brasil após o governo dos Estados Unidos ter se mostrado instável devido às ações unilaterais do presidente Donald Trump.

“O Brasil mantém canais ativos com os EUA e OTAN e deve apresentar essa aproximação com a China como parte de uma estratégia de diversificação, não de exclusão”, afirma o especialista em relações internacionais Laerte Apolinário, da PUC-SP.

Apesar do aceno diplomático à China, o Brasil manteve três generais nas adidâncias dos EUA. O decreto do presidente Lula também estabelece os adidos que vão atuar em solo norte-americano:

  • um oficial-general da Aeronáutica como Adido de Defesa e Aeronáutico;
  • um oficial-general da Marinha como Adido Naval; e
  • um oficial-general do Exército como Adido do Exército.

“O desafio será administrar percepções para evitar que o gesto seja interpretado como mudança de alinhamento”, completa Apolinário.

 

Relações de defesa entre Brasil e China

Além dos oficiais-generais destacados para atuar em Pequim, o Brasil contará com outros três representantes:

  • um coronel ou tenente-coronel do Exército como Adjunto do Adido de Defesa e do Exército;
  • um capitão de mar e guerra ou capitão de fragata como Adjunto do Adido Naval.

A atuação dos adidos militares vai além da representação protocolar: eles auxiliam na negociação de acordos de cooperação, no intercâmbio de informações e em visitas oficiais, além de monitorar avanços tecnológicos e industriais no setor de defesa.





Fonte: Alagoas 24h

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