Foto: Claudemir Mota / ASCOM MP
O julgamento de Leandro dos Santos Araújo, acusado de matar a sogra Flávia dos Santos Carneiros, e ocultar o corpo em uma geladeira, teve um dos momentos mais fortes da manhã desta segunda-feira (20) com o depoimento do motorista de frete contratado para descartar o eletrodoméstico. O homem relatou aos jurados que recebeu o chamado…
O julgamento de Leandro dos Santos Araújo, acusado de matar a sogra Flávia dos Santos Carneiros, e ocultar o corpo em uma geladeira, teve um dos momentos mais fortes da manhã desta segunda-feira (20) com o depoimento do motorista de frete contratado para descartar o eletrodoméstico.
O homem relatou aos jurados que recebeu o chamado do réu para transportar a geladeira, sob o argumento de descarte. Ele relatou ter estranhado quando pediu para ficar com o equipamento, ainda novo, e ouviu uma justificativa inesperada: “Aí eu pedi, uma geladeira nova quem não queria? Mas, ele disse que a geladeira tinha uma macumba. Quando fomos pegar uma geladeira , ela está a gelando. Aí fiquei achando estranho a pessoa jogar uma geladeira nova”, disse o fretista em depoimento.
O motorista contou que seguiu com o veículo até uma região de canavial, onde o descarte seria feito. Ao manusear o equipamento, percebeu algo anormal: “Rodaram muito e depois disseram, eita, não é aqui não. Aí disseram que iam pra Riacho Doce, mas mandaram entrar à direita e disseram que iam descartar. Eles chegaram lá no local e jogaram, ela saiu embolando. Eles voltaram pro carro, a estrada era estreita e tive que sair de ré”, finalizou.
O motorista disse ainda que, após relatar o episódio a uma terceira pessoa, foi orientado a procurar a polícia. Ele compareceu à delegacia e levou os agentes até o local onde a geladeira havia sido descartada. O Ministério Público sustenta que o pai do réu também participou da ocultação do corpo. Ambos respondem no mesmo processo.
ENTENDA O CASO
A garçonete Flávia dos Santos Carneiro, 44, foi encontrada morta dentro de uma geladeira na manhã de 05 de fevereiro de 2024. A motivação do crime seria o fato da mulher não aceitar o relacionamento amoroso da filha de apenas 13 anos com o rapaz de 22 anos.
As investigações do 6º Distrito da Capital apontaram que Flávia dos Santos teria discutido com a filha e o genro após ser informada de que o casal iria morar juntos em uma casa no Benedito Bentes. A vítima não aceitava a situação.
Durante a confusão, que aconteceu na casa da vítima, do bairro do Jacintinho, o casal deu uma pancada na cabeça da vítima, mas ela não morreu. Na sequência, o rapaz pegou uma faca e passou a esfaquear Flávia dos Santos.
Após o crime, a adolescente e namorado foram dormir na casa que alugaram no Benedito Bentes. A informação sobre o homicídio foi dada por um homem que faz frete, que levou pai e filho até a área de mata, onde a geladeira foi jogada em uma ribanceira com a mulher dentro.
Ele contou ter sido contratado para fazer uma mudança entre dois endereços no Jacintinho e, no dia seguinte, foi novamente procurado pelo homem que o contratou, desta vez para levar uma geladeira até o bairro do Benedito Bentes. Os dois acabaram resolvendo jogar a geladeira fora, na mata da Guaxuma.
Depois de deixar pai e filho no Jacintinho, o fretista foi até a delegacia, sendo acompanhado pela policial Daysirê Batista até o local onde a geladeira foi abandonada. O corpo foi localizado e as investigações iniciadas. A adolescente de 13 anos, filha da vítima, foi apreendida e confessou o crime contando os detalhes do assassinato. O pai do rapaz foi preso pela PC por ser cúmplice do homicídio.
Em março de 2024, a Justiça acatou o argumento da Defensoria Pública de que o crime imputado ao pai de Leandro dos Santos era de ocultação de cadáver e tem como pena privativa de liberdade máxima inferior a 4 anos de reclusão. Com isso, concedeu liberdade ao homem, que cumpre medidas cautelares.



