No período da tarde desta segunda-feira, 20, tiveram início os debates no Tribunal do Júri de Leandro dos Santos, acusado de assassinar a sogra, Flávia dos Santos Carneiros, e ocultar seu corpo dentro de uma geladeira abandonada em área de mata. Esta fase foi aberta com a manifestação do promotor de Justiça, Marcus Mousinho, que…
No período da tarde desta segunda-feira, 20, tiveram início os debates no Tribunal do Júri de Leandro dos Santos, acusado de assassinar a sogra, Flávia dos Santos Carneiros, e ocultar seu corpo dentro de uma geladeira abandonada em área de mata.
Esta fase foi aberta com a manifestação do promotor de Justiça, Marcus Mousinho, que se dedicou a desconstruir a tese de legítima defesa apresentada pelo réu. Ele explicou detalhadamente o funcionamento dos votos dos jurados e pediu que eles nãp se deixassem levar por argumentos emocionais ou distorcidos da realidade. Segundo Mousinho, o artigo 25 do Código Penal — que trata da legítima defesa — não pode ser invocado quando o agressor já está dominado.
“O próprio réu confessou que imobilizou a vítima com uma gravata. Se ela já estava rendida, não havia mais agressão a ser repelida”, disse o promotor.
O laudo pericial foi um dos principais pilares da acusação. O documento revelou que o réu apresentava apenas escoriações superficiais — uma no cotovelo e outra no dedão do pé — e nenhuma perfuração condizente com facada, como ele alegou em seu interrogatório. As lesões foram classificadas como contundentes, o que sugere que podem ter sido causadas por quedas ou atritos, e não por um ataque com faca.
Veja também: Filho chora ao depor no julgamento da mãe morta e colocada em geladeira
Outro ponto crucial levantado pelo promotor foi a forma como o corpo foi ocultado: os pulsos estavam amarrados com extrema força, “como quem quer garantir que a vítima não fuja”, destacou. Além disso, o laudo apontou a existência de dois tipos de ferimentos: cerca de 20 cortes profundos, atribuídos ao réu, e outros mais superficiais, sugerindo a participação da filha da vítima. A jovem, de 13 anos à época dos fatos, já cumpre medida socioeducativa por ocultação de cadáver, mas, com base nesse laudo, o ato infracional pode ser reclassificado.
“Como se fala em legítima defesa quando os golpes foram dados pelas costas?”, questionou Mousinho, mostrando imagens fortes do corpo embrulhado na geladeira. A avó materna, presente no julgamento, declarou: “A partir de hoje, minha neta nem existe mais pra mim.”.
Leia mais: Testemunha fala de ‘macumba’ e relata como descobriu cadáver de mulher na geladeira
Defesa do réu
Na tentativa de sensibilizar os jurados, o advogado de defesa argumentou que o crime foi o desfecho de uma discussão iniciada dias antes, durante o carnaval, quando vítima e réu brigaram em um bar. Segundo ele, a vítima teria ameaçado o genro, o que culminou em uma “luta pela sobrevivência”.
O advogado ainda disse que o réu estava em “modo automático”, tomado por um frenesi. “Há coisas que fazemos sem sequer perceber. Ele foi guiado por um impulso, por algo que o cérebro comandou naquele momento de extremo estresse”, afirmou.
Outro argumento controverso apresentado pela defesa foi o de que o réu teria sido influenciado pela enteada. “Ele ia chamar a polícia, mas a menina decidiu tudo. Ela disse: ‘mate, mate, mate ela’. Ele apenas seguiu”, disse o defensor, tentando minimizar a responsabilidade do cliente.
Veja ainda: Réu diz que matou sogra em legítima defesa após namorada lhe entregar faca
O advogado chegou a confirmar uma versão contraditória, dita anteriormente pelo próprio réu: que ele teria se recusado a entregar a geladeira ao fretista contratado para transportá-la até o ponto de desova, e quem acionou a polícia, porque “tinha uma macumba dentro”. O réu havia negado esse diálogo.
Por fim, a defesa buscou apelar ao emocional dos jurados ao dizer que o réu sofre desde então, está em tratamento psiquiátrico e não consegue mais dormir. “Trata-se de um homem de vida ilibada, réu primário, que agora é perseguido pelas imagens do que fez. Ele sofre”, concluiu o defensor.
Em seguida, o promotor abriu mão da réplica e, consequentemente, não houve tréplica. A expectativa é que a setença seja dada ainda no dia de hoje.



