Um agente de trânsito foi condenado a 10 anos e 6 meses de prisão pelo júri popular após provocar um acidente que resultou na morte de Allysson Teodósio do Nascimento, 21 anos, e em lesões graves em sua companheira, Cinthyellen Ventura da Silva, na AL-110, em Arapiraca. O caso ocorreu em 15 de julho de 2023, quando Valdy Severiano da Silva, dirigindo embriagado, em alta velocidade e na contramão, atingiu a motocicleta ocupada pelas vítimas e ainda colidiu com um caminhão, que tombou com o impacto.
A sessão de julgamento ocorreu nesta terça-feira, 18, com sustentação do Ministério Público de Alagoas (MPAL), representado pelo promotor de Justiça Ivaldo Silva. O MPAL defendeu que a conduta do réu configurou dolo eventual — quando o motorista assume o risco de produzir o resultado fatal — argumento acatado pelos jurados. Após a decisão, o magistrado fixou regime inicial fechado, destacando a culpabilidade agravada do réu, por ser conhecedor das leis de trânsito, e decretou sua prisão preventiva.
Segundo a investigação, após o acidente, Valdy Severiano fugiu do local com ajuda de terceiros para evitar responsabilização penal e civil, mesmo sendo servidor público e ciente da obrigação legal de prestar socorro. As vítimas foram arrastadas por vários metros; Allysson morreu ainda no local, enquanto Cinthyellen foi hospitalizada em coma e ficou com debilidade permanente dos membros inferiores, além de sequelas psicológicas.
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Durante o julgamento, a sobrevivente relatou que o casal havia iniciado um relacionamento há poucos meses e que, naquele dia, visitaria sua família. Ela também disse que a mãe de Allysson, que mora no exterior, precisou pedir R$ 10 mil emprestados para vir ao Brasil sepultar o filho.
O promotor Ivaldo Silva afirmou que o resultado do júri reforça a importância do cumprimento das leis e o respeito à vida. “As imagens do acidente são chocantes. Não havia como desclassificar o crime para culposo diante de tantas provas. O réu, agente de trânsito, conhecia o CTB e assumiu o risco ao dirigir alcoolizado”, declarou.
Mesmo com a condenação, o Ministério Público anunciou que vai recorrer, defendendo que a pena deve ser aumentada diante das consequências irreparáveis às famílias e das sequelas permanentes da sobrevivente. “Ela disse durante o júri: ‘me sinto um copo quebrado’. Não houve confissão, mas tentativa de justificar os atos”, afirmou o promotor.



