quarta-feira, março 18, 2026
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Defesa busca reaver guarda da filha após Justiça manter médica acusada de matar ex-marido em liberdade


A defesa da médica Nádia Tamyres Silva Lima, acusada de matar o ex-marido em Arapiraca, no Agreste de Alagoas, afirmou que a prioridade agora é reaver a guarda da filha do casal, retirada após o crime ocorrido em novembro de 2025. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (29) pela advogada Júlia Nunes, por meio das redes sociais.

Segundo a defensora, a Justiça reconheceu que Nádia pode responder ao processo em liberdade por não representar risco à sociedade, mas, mesmo assim, ela segue impedida de manter contato com a própria filha. “Ela foi considerada, pelo Tribunal de Justiça de Alagoas, uma pessoa que não oferece perigo à coletividade, mas continua sem o direito básico de conviver com a criança”, afirmou a advogada.

PC conclui investigação e indicia médica por homicídio qualificado | Foto: Reprodução

Júlia Nunes relembrou que o caso teve início após a médica formalizar denúncia de violência sexual contra a filha, atribuída ao então marido. Conforme a defesa, mesmo após a concessão de medida protetiva, o homem teria sido visto circulando por caminhos habituais próximos à residência da médica, localizada em um povoado distante da área urbana de Arapiraca.

“O próprio processo registra que ele reconhecia Nádia como uma excelente mãe. Não há qualquer acusação contra ela relacionada à criança”, declarou a advogada, ao questionar a retirada da guarda. Para a defesa, a penalidade imposta não encontra respaldo legal. “Existe alguma pena automática que determine a perda da guarda quando não há crime contra o menor? A resposta é não”, argumentou.

Ainda segundo Júlia Nunes, Nádia nunca havia utilizado arma de fogo anteriormente, apesar de possuir porte, e destacou o histórico profissional da médica, que atuou na linha de frente durante a pandemia da Covid-19. “É uma mulher que sempre salvou vidas e jamais apresentou comportamento violento”, disse.

A advogada também comparou o caso com situações em que homens acusados de violência contra mulheres mantêm a guarda dos filhos. “Estamos falando de uma mulher que denunciou o próprio marido para proteger a filha e hoje é ela quem sofre as consequências mais severas”, afirmou.

Decisão Judicial

Nádia Tamyres responde por homicídio qualificado em liberdade, cumprindo medidas cautelares impostas pela Justiça, como comparecimento periódico em juízo e proibição de deixar a comarca sem autorização. O habeas corpus ainda será analisado no mérito pelo Tribunal de Justiça de Alagoas.

A defesa informou que seguirá adotando medidas judiciais para restabelecer o convívio entre mãe e filha. O espaço permanece aberto para manifestações da família da vítima.

Lembre o caso

O homicídio aconteceu em 16 de novembro de 2025, em frente à Unidade Básica de Saúde do povoado Capim, na zona rural de Arapiraca, no Agreste alagoano. Alan Carlos, de 41 anos, foi atingido por disparos de arma de fogo enquanto estava dentro do próprio veículo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e confirmou o óbito ainda no local.

Cortesia

O médico Alan Carlos de Lima Cavalcante foi assassinado a tiros pela ex-esposa

Após o ocorrido, a médica foi presa pela Polícia Militar no município de Atalaia, quando retornava para Maceió. De acordo com a corporação, a própria Nádia indicou que a arma utilizada no crime estava no banco do passageiro, sob um jaleco médico. À polícia, ela afirmou que deixou Arapiraca por temer represálias.

Durante depoimento, Nádia confessou o crime e declarou que efetuou os disparos por se sentir acuada. Alan Carlos havia sido indiciado em setembro por violência psicológica contra a ex-companheira. A investigação, conduzida pela delegada Maria Fernandes Porto, também apurou denúncia de estupro de vulnerável envolvendo a filha do casal, que à época tinha dois anos de idade.

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Conforme divulgado anteriormente, a criança passou por oitiva especializada e relatou atos que teriam sido cometidos pelo próprio pai, indicando partes do corpo onde teria sido tocada. A Polícia Civil informou que o exame pericial não constatou penetração, mas, diante da gravidade dos relatos, o médico foi indiciado. Após tomar conhecimento da denúncia de possível abuso sexual, a promotora Viviane Karla Farias, da 6ª Promotoria de Justiça de Arapiraca, especializada na Defesa da Infância e da Juventude, ingressou preventivamente com pedido de medida protetiva para afastar o investigado da criança, mesmo antes da conclusão do inquérito policial. (RELEMBRE AQUI)

À época, fontes relataram que Alan Carlos havia trabalhado em unidades de saúde de Arapiraca, Coruripe e Delmiro Gouveia, e que mantinha comportamento considerado abusivo, incluindo relatos de assédio a colegas de trabalho. No dia do crime, segundo o relato da médica, ela teria se sentido intimidada ao vê-lo parado próximo ao local onde exercia suas atividades profissionais. Nádia possui porte legal de arma de fogo.

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Fonte: Alagoas 24h

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