Imagem do monte de material estéril enviada pela Vale Verde à Defensoria Pública
A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) afirmou em nota, nesta sexta-feira, 13, que os estudos sismológicos iniciados pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) em Craíbas representam uma etapa importante, mas não encerram o debate técnico e jurídico sobre os impactos da atividade mineradora no município do Agreste. Segundo o órgão, o monitoramento…
A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) afirmou em nota, nesta sexta-feira, 13, que os estudos sismológicos iniciados pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) em Craíbas representam uma etapa importante, mas não encerram o debate técnico e jurídico sobre os impactos da atividade mineradora no município do Agreste. Segundo o órgão, o monitoramento previsto tem duração inicial de seis meses e deve ser tratado como medida complementar, não como conclusão definitiva sobre as causas das rachaduras em imóveis da zona rural.
Os estudos começaram após acordo homologado pela Justiça Federal, no âmbito de Ação Civil Pública, e atendem a recomendações da Defensoria Pública da União (DPU). A pesquisa é financiada pela Mineradora Vale Verde (MVV) e conduzida por equipe coordenada pelo professor-doutor Carlos Henrique Arroyo Ortiz, especialista em Geociências.
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A equipe já iniciou a instalação de sismógrafos em comunidades como Lagoa do Mel, Torrões e Pau Ferro. Os equipamentos vão medir vibrações no solo e monitorar possíveis aumentos em fissuras nas residências, especialmente durante as detonações semanais realizadas pela mineradora — chamadas pela empresa de “desmontes”.
Moradores relatam rachaduras e tremores
Desde 2021, a MVV realiza extração de cobre, ferro e ouro no povoado Serrote da Laje e em outras áreas rurais de Craíbas. Moradores relatam o surgimento de rachaduras nas casas, além de poeira excessiva e problemas respiratórios, que associam às explosões na mina.
Documento da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil de Alagoas apontou a existência de fissuras em imóveis da região. Além disso, levantamento citado pela imprensa indica aumento no registro de tremores de terra entre 2020 e 2025, em comparação a períodos anteriores.

Em notas oficiais, a Mineradora Vale Verde nega qualquer relação entre suas atividades e os abalos sísmicos. A empresa afirma que adota monitoramento ambiental contínuo e segue padrões exigidos pela legislação brasileira e por práticas internacionais de ESG.
Monitoramento deve ser permanente, diz Defensoria
Apesar do início das medições, a Defensoria Pública de Alagoas sustenta que a avaliação dos impactos precisa ocorrer de forma contínua e contextualizada, considerando todo o período de exploração mineral. Para o órgão, o estudo temporário não substitui a necessidade de um sistema permanente de monitoramento.
A DPE/AL defende que o acompanhamento sismográfico seja incluído como condicionante formal da licença ambiental da atividade mineradora. Nesse sentido, cabe ao Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL) fiscalizar e exigir a implementação de mecanismos permanentes de controle.
Na ação judicial em que pede tutela de urgência para concessão de Licença de Operação Corretiva (LOC), a Defensoria requer a implantação obrigatória de uma rede sismográfica permanente, com divulgação diária dos dados à população. O objetivo, segundo o órgão, é garantir transparência, segurança e proteção aos moradores.
Por fim, a instituição reafirmou o compromisso de acompanhar os desdobramentos da atividade mineradora em Craíbas e de atuar na defesa dos direitos coletivos da população afetada.



