sábado, julho 11, 2026
spot_img

MPAL aciona clínicas por desvios


O Ministério Público de Alagoas (MPAL) desarticulou um esquema criminoso que lucrava ilegalmente acima de R$ 40 mil mensais por paciente às custas da saúde de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Síndrome de Down. A Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor ajuizou uma Ação Civil Pública contra duas clínicas credenciadas à…

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) desarticulou um esquema criminoso que lucrava ilegalmente acima de R$ 40 mil mensais por paciente às custas da saúde de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Síndrome de Down. A Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor ajuizou uma Ação Civil Pública contra duas clínicas credenciadas à Unimed Maceió. Diante da gravidade dos fatos, a Justiça atendeu o pedido de urgência e mandou suspender imediatamente todos os repasses financeiros para as empresas acusadas.

A investigação, conduzida pelos promotores Max Martins e Dênis Guimarães, revelou um cenário estarrecedor na capital. Os estabelecimentos fabricavam laudos médicos em série com textos idênticos, adulteravam folhas de ponto e cobravam por tratamentos inexistentes. Para inflar os lucros, os suspeitos chegavam a impor jornadas exaustivas de até 40 horas semanais nas planilhas, embora as crianças nunca passassem de 22 horas de terapia na realidade.

ACOMPANHE O ALAGOAS 24 HORAS NO INSTAGRAM

Para piorar a situação, alguns pais relataram que sofreram intimidações e coações dos administradores para assinar frequências falsas.

“Há indícios gravíssimos de falsidade documental, coação de familiares, superfaturamento e a imposição de jornadas terapêuticas que nunca foram realizadas. Isso altera a real finalidade das clínicas e compromete o desenvolvimento físico, psicológico e social das crianças”, alertam os promotores.

Durante as vistorias, a equipe do Ministério Público constatou fraudes estruturais:

  • Estrutura impossível: Uma das clínicas operava em uma casa adaptada de 12 salas, mas cobrava por 15 atendimentos simultâneos no mesmo horário;

  • Falsa formação: Profissionais sem capacitação atendiam os pacientes. A dona de um dos espaços alegou que a qualificação da equipe vinha de um curso da própria clínica, sem qualquer autorização do Ministério da Educação (MEC);

  • Clínica fantasma: O endereço oficial de um dos estabelecimentos que recebia verbas médicas é, na verdade, um imóvel abandonado e emparedado com tijolos.

A farsa também incluía planos terapêuticos padronizados e encaminhamentos médicos em branco, onde os criminosos apenas preenchiam as datas de acordo com a conveniência financeira do mês.

Por determinação judicial, as clínicas têm o prazo de 10 dias para entregar todos os prontuários médicos, agendas, folhas de evolução e registros de frequência físicos e digitais das crianças. Caso descumpram a ordem, os proprietários enfrentarão uma multa diária de R$ 500, podendo chegar ao limite de R$ 20 mil, enquanto o processo principal avança na esfera criminal e cível.





Fonte: Alagoas 24h

Leia Também

- Publicidade -spot_img

ÚLTIMAS NOTÍCIAS