As candidaturas para o cargo de deputado federal caíram 28%, de 10,6 mil em 2022 para 7,6 mil em 2026, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até esta sexta-feira (21). A redução reflete reformas eleitorais recentes, que buscam diminuir o número de partidos e estimular fusão de siglas. 🔎 Apesar de já ter terminado…
As candidaturas para o cargo de deputado federal caíram 28%, de 10,6 mil em 2022 para 7,6 mil em 2026, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até esta sexta-feira (21). A redução reflete reformas eleitorais recentes, que buscam diminuir o número de partidos e estimular fusão de siglas.
🔎 Apesar de já ter terminado o prazo para o registro de candidatura, é possível que algumas solicitações ainda estejam sendo processadas pela justiça eleitoral e, por isso, ainda não estão disponíveis no sistema do TSE.
Segundo Mayra Goulart, cientista política e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), as minirreformas eleitorais definiram critérios para criação de novos partidos e de desempenho para que as siglas tenham acesso ao fundo partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão.
“A cláusula de barreira muda o cálculo do partido sobre em quem vale a pena investir. A candidatura de baixa competitividade deixa de ser inofensiva e passa a ser danosa. O partido, então, passa a selecionar mais, dificultando a entrada de novos candidatos, exceto quando eles já demonstram popularidade”, explica Mayra.
O critério de seleção, segundo a cientista política, favorece quem já tem mandato, inclusive pela capacidade de direcionar emendas parlamentares a municípios específicos ao longo dos quatro anos anteriores. Segundo os dados do TSE, quase 80% dos deputados federais buscam reeleição em 2026.
“A desvantagem do estreante está construída antes de a campanha começar”, diz a cientista política.
“Passamos de 29 mil para 20 mil candidaturas registradas, uma queda de quase 30%”, comenta ao analisar o número geral de candidaturas registradas no sistema da Justiça Eleitoral. “Menos gente disputando e a disputa concentrada em quem já está dentro.”
O número de partidos na disputa também é menor: há quatro anos, 32 tinham candidatos na disputa. Agora, são 28. Essa redução aconteceu por causa das fusões e incorporações de algumas siglas. O PTB e o Patriota se fundiram e deram origem ao PRD. Já o PROS foi incorporado ao Solidariedade, assim como o PSC se incorporou ao Podemos.
O PL, a Federação União Progressista (União/PP) e o Novo têm o maior número de candidatos. Já o UP, o PCO e o PSTU têm menos.
A redução no número de candidaturas ocorreu tanto entre homens quanto entre mulheres: foi de cerca de 25% entre as mulheres e de aproximadamente 30% entre os homens. Em 2022, foram registradas 3.717 candidaturas femininas e 6.905 masculinas para o cargo de deputado federal. Em 2026, são 2.788 mulheres e 4.840 homens.
Proporcionalmente, porém, a participação feminina aumentou, embora as mulheres ainda sejam minoria entre os candidatos. Elas representavam cerca de 35% do total de candidaturas em 2022 e agora correspondem a aproximadamente 36,6%. Já a participação masculina caiu de cerca de 65% para 63,4%.
Partido Novo mais que dobrou número de candidaturas
Enquanto o conjunto dos partidos registra menos candidatos, o Novo mais que dobrou o número absoluto de nomes na disputa, passando de 221 para 505. É o maior aumento percentual de candidaturas, cerca de 128%.
Mayra destaca que o Novo não tem uma rede expressiva de mandatos, o que torna a cláusula de barreira ameaçadora para o partido. Isso porque a regra não exige apenas votos, mas também distribuição. A sigla precisa ter 2,5% dos votos válidos nacionais com pelo menos 1,5% em um terço das unidades da federação.
“Sem base local, o único caminho para produzir essa dispersão é multiplicar candidaturas em muitos estados e somar votos nominais pulverizados”, analisa a especialista.
Em 2022, o Novo tinha o equivalente a 2,1% do total de candidaturas registradas. Neste ano, são 6,6%. Isso significa que, há quatro anos, aproximadamente dois em cada cem candidatos a deputado federal eram do partido. Agora, são quase sete em cada cem. O partido que estava em 21º no número de candidaturas em 2022, agora ocupa a terceira posição.
“O salto chama atenção, mas acontece num pleito em que o conjunto encolheu. Ou seja a expansão em parte é movimento do partido, mas, em parte, é resultado da retração do montante geral”, diz Mayra.
PL aumentou número de candidatos; federação do PT reduziu
O PL também ampliou sua participação no total de candidaturas a deputado federal, de 511 para 534. O partido estava em 4º lugar em número absoluto de candidatos em 2022 e agora ocupa o topo do ranking — cresceu 4,5%.
“O processo é análogo ao do Novo, só que partindo de um patamar mais elevado e com amplo enraizamento territorial. O PL tem mandato, consegue fazer entregas [de emendas] e, portanto, pode sustentar 534 candidaturas viáveis”, avaliou Goulart.
Já a Federação Brasil da Esperança, composta pelo PT, PC do B e PV, reduziu o número de candidatos a deputado federal, de 533 nomes em 2022 para 486 em 2026. É uma queda de 8,8%.
Há quatro anos, a federação tinha o maior número de candidatos, junto com o Republicanos. Cada um tinha 533 candidaturas. Agora, a Federação Brasil da Esperança está em quarto lugar. Apesar disso, ampliou sua participação no total de candidaturas: de 5% em 2022 para 6,2% em 2026.
Para Goulart, os dados mostram que o PT resistiu diante de uma queda geral de 28% no número de candidaturas. A perda de posição no ranking não ocorreu por retração própria, mas por causa do movimento dos outros partidos: o PL manteve o tamanho e o Novo inflou a chapa.
“A estratégia é nítida: menos candidatos, votação concentrada em nomes competitivos”, comenta a cientista política.
O partido que mais perdeu espaço em números absolutos de candidaturas foi o Agir, que passou de 373 para 103. A redução foi de 72%.



