Lobista dizia ser sócia e que Lulinha só aparecia quando era preciso | Foto: CNN Brasil
A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmava ter “sociedade” com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). LEIA MAIS NOTÍCIAS DO FUTEBOL NACIONAL E INTERNACIONAL ACOMPANHE O ALAGOAS 24 HORAS NO INSTAGRAM Em mensagens obtidas pela PF (Polícia Federal), ela se referia a Lulinha…
A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmava ter “sociedade” com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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Em mensagens obtidas pela PF (Polícia Federal), ela se referia a Lulinha como um “irmão”, mas fazia ressalvas sobre a atuação pontual dele e a necessidade de o filho do presidente “se preservar”.
Os diálogos foram identificados pela PF no celular da empresária. As mensagens foram reveladas pela revista Veja e confirmadas pela CNN.
Roberta e Lulinha são investigados por suspeita de tráfico de influência e corrupção em supostas negociações com órgãos do governo federal. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atua na defesa de Lulinha, nega irregularidades. A defesa da empresária disse que não vai se manifestar porque o caso está sob sigilo.
Em uma troca de mensagens com a empresária, o filho do presidente afirma que a lobista cuidava de suas “finanças”. De acordo com a PF, a empresária demonstrava ter “aparente autorização” para agir em nome de Lulinha.
A proximidade dos dois também foi demonstrada em conversas entre Roberta e o empresário Gustavo Gaspar. A lobista menciona, em um dos diálogos, que ela, Lulinha e o empresário Fernando Bittar “eram uma coisa só”.
Segundo investigadores, os três mantinham uma relação de sociedade informal para tratar de interesses econômicos em comum.
Eles faziam parte de um grupo no WhatsApp com o nome de “Musaranhos” em que discutiam a negociação de projetos junto ao governo federal. Em conversas do grupo, a lobista se refere aos sócios como “musos”.
“Fefe [Fernando], Fábio e eu somos uma coisa só. Se um fala vai, tds [todos] vão. A gente eh [é] mesmo irmão, sabe. Fábio não faz nada. Ele só entra em campo qdo [quando] precisa. Tem q [que] se preservar”, declarou a lobista em janeiro de 2024.
Para a PF, os dados da quebra de sigilo de Roberta indicam que o filho do presidente era visto como uma “referência decisória nos projetos discutidos”. Ele seria o “beneficiário indireto das articulações conduzidas por terceiros em seu nome”.
Roberta também indicava ter proximidade com o presidente Lula. Segundo ela, o chefe do Executivo teria a questionado sobre o desejo de ocupar uma função no governo. Em resposta, a empresária menciona preferir manter sua atuação de “sociedade” com Lulinha e com Bittar.
“Fui das poucas pessoas que o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar. […] Eu disse: aonde eu tô. Na minha sociedade com Fábio e Fernando. Tô em cargo nenhum e ando onde quero”, afirmou a lobista.
As conversas obtidas pela PF foram encaminhadas ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), relator de dois dos três inquéritos contra Lulinha em curso na Corte.
O filho do presidente Lula é investigado por supostamente atuar para influenciar contratos do Ministério da Saúde na área da cannabis medicinal em benefício de uma empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
Um outro inquérito autorizado por Mendonça apura se Lulinha teria atuado para beneficiar uma empresa de tecnologia junto à Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência), órgão do governo federal.
A terceira investigação tem o ministro Flávio Dino, do STF, como relator. A apuração mira a suposta atuação de um grupo de pessoas para o favorecimento de empresas junto ao governo federal.
A expectativa é que os inquéritos só sejam concluídos após as eleições. A PF ainda realiza a perícia técnica e analisa os dados obtidos.
Em parecer sobre a investigação, a PGR (Procuradoria-Geral da República) apontou que a apuração, até o momento, não identificou negócios concretizados envolvendo o governo federal.
A Procuradoria também sustenta que o caso não envolve a participação de nenhuma autoridade com prerrogativa de foro e, por isso, solicita o envio a primeira instância.
A tendência, no entanto, como a CNN mostrou, é que André Mendonça e Flávio Dino mantenham no STF os inquéritos que investigam Lulinha.



