terça-feira, setembro 15, 2026
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Mãe de santo denuncia pastor por quebrar imagem de orixá em templo religioso na Bahia: ‘Disse que Deus mandou’


Assentamento de Exu foi destruído em ataque a terreiro em Santo Amaro, na Bahia — Foto: Arquivo pessoal

Uma mãe de santo denunciou um pastor evangélico por quebrar imagens religiosas que ficavam na frente de um terreiro, em Santo Amaro, no Recôncavo da Bahia. Os ataques ocorreram em agosto deste ano e, de acordo com a Polícia Civil, o inquérito policial foi enviado à Justiça no sábado (12). Ninguém foi preso. O terreiro Ilê Axé Tonan…

Uma mãe de santo denunciou um pastor evangélico por quebrar imagens religiosas que ficavam na frente de um terreiro, em Santo Amaro, no Recôncavo da Bahia. Os ataques ocorreram em agosto deste ano e, de acordo com a Polícia Civil, o inquérito policial foi enviado à Justiça no sábado (12). Ninguém foi preso.

O terreiro Ilê Axé Tonan Onirê funciona no distrito de Acupe, em Santo Amaro, desde 1998. Segundo Mãe Deca, responsável pelo templo religioso, esse foi o primeiro ataque nos quase 30 anos da casa.

“Ele quebrou o assentamento de Exu e disse que foi Deus quem mandou”, contou.

 

O primeiro ataque aconteceu no dia 4 de agosto. Testemunhas contaram que o suspeito foi até o local e quebrou o assentamento de Exu que ficava na frente do templo há três anos. Na ocasião, a cabeça de Exu foi arrancada.

🕯️ Nas religiões de matriz africana, o assentamento é um altar sagrado que concentra a energia e a representação material do orixá. Exu é considerado o orixá da comunicação, mensageiro divino e abridor de caminhos.

Depois do ataque, Mãe Deca fez um novo assentamento para o orixá, procurou o suspeito e foi ameaçada. Segundo ela, o pastor afirmou que quebraria novamente a imagem e que, caso ela tentasse impedir, a “quebraria” também. Na ocasião, pessoas que estavam no local precisaram segurar ambos para evitar agressões.

Em 30 de agosto, o assentamento de Exu foi vandalizado novamente. Dessa vez, o orixá foi totalmente quebrado.

Com a orientação da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA), o caso foi registrado na Delegacia de Santo Amaro e uma medida protetiva foi solicitada.

Para Mãe Deca, o registro da queixa é importante não só para a segurança dos frequentadores do Ilê Axé Tonan Onirê, mas para todas pessoas que são de religiões de matriz africana.

“Assim como foi aqui, poderia ter sido em outro terreiro. Isso não pode acontecer”, disse.





Fonte: Alagoas 24h

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