Traipu terá, pela primeira vez, uma estudante representando o município em uma instância nacional de participação de adolescentes. Aos 15 anos, Larissa Barbosa, estudante do 9º ano da Escola Municipal de Educação Básica Professora Carmen Lúcia, foi eleita 2ª suplente para a composição do Comitê de Participação de Adolescentes (CPA) Nacional, vinculado ao Conselho Nacional…
Traipu terá, pela primeira vez, uma estudante representando o município em uma instância nacional de participação de adolescentes. Aos 15 anos, Larissa Barbosa, estudante do 9º ano da Escola Municipal de Educação Básica Professora Carmen Lúcia, foi eleita 2ª suplente para a composição do Comitê de Participação de Adolescentes (CPA) Nacional, vinculado ao Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), para a gestão 2027/2028.
A eleição ocorreu durante a III Reunião do Comitê de Participação de Adolescentes de Alagoas (CPA/AL), realizada no dia 11 de setembro. Larissa foi escolhida por meio de votação entre os adolescentes integrantes do comitê e será a primeira representante do Agreste alagoano a conquistar uma vaga na composição nacional.
A participação é resultado de uma trajetória iniciada no Núcleo de Cidadania de Adolescentes (NUCA) de Traipu, onde Larissa atua como coordenadora. A estudante também integra o CPA Municipal e o CPA Estadual, ampliando gradualmente sua participação em espaços de discussão e construção de políticas públicas voltadas para crianças e adolescentes.
Para a mobilizadora do Nuca em Traipu e secretária municipal de Assistência Social, Priscilla Palmeira, a conquista representa o resultado do trabalho de mobilização e incentivo ao protagonismo juvenil desenvolvido no município.
“Eu fiquei imensamente orgulhosa. Você tem uma adolescente que mobiliza outros adolescentes e que faz ser voz dentro de um processo tão importante como participar de uma comissão permanente de políticas públicas. A partir desse momento, elas já fazem parte da construção das políticas públicas para crianças e adolescentes”, destacou.
Segundo a secretária, Larissa e outras adolescentes de Traipu participaram desde as primeiras etapas de formação dos espaços de participação juvenil, chegando à representação estadual e, posteriormente, à disputa pela composição nacional.
“Ela foi eleita justamente representando o Agreste. São quatro adolescentes eleitos que vão representar as crianças e adolescentes em Brasília. Eu tenho o maior orgulho do mundo de dizer que, além do Agreste, ela representa também Traipu”, afirmou Priscilla.
Do NUCA para Brasília
A própria Larissa conta que, quando entrou no NUCA, no início de 2026, não imaginava que a experiência a levaria tão longe. Segundo ela, a princípio, a ideia era participar de um grupo com amigos, mas logo percebeu que o espaço exigia compromisso, responsabilidade e participação ativa.
“Eu entrei no NUCA com a ideia de que ia ser só um grupo de viagens, de diversão, porque meu grupo estava dentro e foi puxando um ao outro. Só que, quando entrei, percebi que não ia ser só viagem, que tinha que ter compromisso, responsabilidade e tudo mais”, relembrou.
A partir daí, Larissa passou a participar de reuniões, processos seletivos e atividades de representação. Foi assim que chegou ao CPA Municipal, depois ao estadual e, finalmente, à eleição para a representação nacional.
A estudante conta que quando recebeu a notícia de que havia sido eleita 2ª suplente, a reação foi de surpresa. “Foi um choque. Eu acho que, até agora, ainda estou tentando assimilar que consegui chegar nesse lugar”, contou.
Para a adolescente, o NUCA foi fundamental para abrir portas e mostrar que crianças e adolescentes também podem ocupar espaços de participação e decisão.
“Eu vejo o NUCA como uma grande chave de acesso. Traipu é uma cidade muito rica em cultura, mas, em espaço para criança e adolescente, eu não vejo um espaço tão amplo. Então, o NUCA é, sim, uma primeira porta de entrada. No fundo, não é só um grupo de crianças e adolescentes que sai fazendo ação”, explicou.
Voz de Traipu e do Agreste
A participação em Brasília também representa, para Larissa, a oportunidade de levar para outros espaços as demandas dos adolescentes do município e da região.
“Meu país, Traipu. É uma cidadezinha, mas tem que ter orgulho de onde veio. Grandes pessoas importantes nascem de lugares pequenos. Então, eu vejo a importância de mencionar a minha cidade, mencionar o meu estado”, afirmou.
A estudante pretende aproveitar a oportunidade para ouvir outros adolescentes, discutir propostas e defender a ampliação de oportunidades para a juventude. “Eu pretendo levar a voz dos adolescentes daqui, pretendo escutar, pensar e organizar propostas para ampliar tudo isso”, disse.
Entre as pautas que considera importantes está a ampliação de oportunidades para os jovens, como programas de aprendizagem.
Para ela, também é fundamental que instituições e gestores confiem mais na capacidade dos adolescentes de participar e contribuir.
“Acho que o que falta é, principalmente confiança. Aqui tem muitos lugares que poderiam ter Jovem Aprendiz. É uma coisa que eu já mencionei em reuniões e que pretendo levar até conseguir isso. E, se eu não puder ter, vou tentar fazer com que os outros adolescentes tenham”, ressaltou.
A ida de Larissa para a representação nacional marca uma nova etapa de sua trajetória e também coloca Traipu e o Agreste alagoano em um espaço de participação que, até então, não havia sido ocupado por uma representante da região.



