Réu Carlos Henrique Ferreira Santos, de 37 anos, acusado de envolvimento na morte do blogueiro político Adriano de Farias Firmino da Silva
A 9ª Vara Criminal da Capital realiza, nesta segunda-feira, 5,, no Fórum do Barro Duro, em Maceió, o julgamento popular de Carlos Henrique Ferreira Santos, de 37 anos, acusado de assassinar o blogueiro político Adriano de Farias Firmino da Silva, de 33 anos. O Tribunal do Júri iniciou os trabalhos com mais de uma hora…
A 9ª Vara Criminal da Capital realiza, nesta segunda-feira, 5,, no Fórum do Barro Duro, em Maceió, o julgamento popular de Carlos Henrique Ferreira Santos, de 37 anos, acusado de assassinar o blogueiro político Adriano de Farias Firmino da Silva, de 33 anos.
O Tribunal do Júri iniciou os trabalhos com mais de uma hora de atraso e ouve testemunhas de acusação e defesa em modalidade presencial e por videoconferência. Os advogados Raimundo Palmeira e Gabriel Sena atuam no plenário como assistentes de acusação e auxiliam o Ministério Público de Alagoas (MPAL) no interrogatório das testemunhas.

Depoimentos apontam ameaças políticas
A irmã da vítima, Rosineide Farias, prestou o primeiro depoimento do dia por videoconferência. Ela detalhou o clima de intimidação em Junqueiro e afirmou que a vítima sofria hostilidades do prefeito e da mãe do gestor por expor irregularidades no município.
Rosineide acrescentou que acredita que o crime teve como mandante o irmão do prefeito, Valdir, proprietário de uma fábrica de cerâmica onde Adriano já havia trabalhado. Ela relatou que o irmão adoeceu na época em que trabalhava no local e teve pedido de ajuda para comprar remédios negado pelo ex-patrão.
“Então, meu irmão foi atrás dos direitos dele e o Valdir disse que a vergonha que eles passaram no fórum de Penedo não ia ficar assim.”
Rosineide também destacou o sofrimento familiar e a comoção da comunidade com o homicídio. “Ficou todo mundo revoltado, ele era um menino bom, não é porque era meu irmão. E ser morto assim, como um animal“, declarou a depoente. Emocionada, a testemunha ressaltou o impacto psicológico que o crime causou na família: “Até hoje toda família está doente, ninguém mais tem saúde. Ninguém queira estar na pele da gente, passar o que a gente passou e passa até hoje. Eu que fiz o reconhecimento, fui ao IML, fiquei com choque. A única coisa que eu quero é justiça”.

Na sequência, o deputado estadual Fernando Pereira prestou depoimento por vídeo e confirmou divergências políticas e conflitos territoriais entre a vítima e lideranças locais. “A vítima também tinha problemas com a mãe do prefeito porque ela estaria invadindo um terreno que era da mãe do Adriano. Ele denunciou e não gostaram.” O parlamentar ressaltou a postura pacífica da vítima: “A vítima era uma pessoa pacata, só gostava de ir para a academia, tinha uma filha pequena”.
O parlamentar também respondeu aos questionamentos da promotoria sobre o pavor de moradores em testemunhar abertamente sobre a rotina da cidade. “Doutora, eles temem pela vida. Outro blogueiro fugiu da cidade porque foi ameaçado, já sofreu atentado. Todos que mexiam com as redes sociais, o prefeito costumava dar esses alertas.”
Divergências de horários
Durante a tarde, as testemunhas arroladas pela defesa apresentaram versões para tentar comprovar a localização do réu no dia do homicídio. Um amigo de infância afirmou que esteve com o acusado em um bar em Limoeiro de Anadia e sustentou que “deve ser por perseguição política” a acusação contra o réu.
Contudo, um dos jurados confrontou o depoimento com as provas anexadas ao processo: a testemunha alegou ter deixado o estabelecimento às 18h30, mas os comprovantes de pagamento e abastecimento constantes nos autos registraram as operações às 16h30.
ACOMPANHE O ALAGOAS 24 HORAS NO INSTAGRAM
Veículo usado
O proprietário do restaurante, Thiago José dos Santos, declarou em depoimento que “ou era uma S-10 ou uma Hilux branca” o veículo usado pelo grupo e confirmou que solicitou ao réu que não fumasse no recinto.
Interregatório do réu
O juiz condutor da sessão iniciou o interrogatório de Carlos Henrique Ferreira Santos logo após a fase de depoimentos. A magistratura não divulgou previsão para a conclusão dos debates e nem confirmou se os jurados proferirão a sentença ainda na noite de hoje.

Relembre o caso
O homicídio de Adriano de Farias Firmino da Silva ocorreu no dia 18 de junho de 2024, no Povoado Retiro, zona rural de Junqueiro, a 117 km de Maceió. O blogueiro mantinha forte atuação nas redes sociais com críticas contundentes à gestão pública municipal e comentários sobre os bastidores da política local.
No dia do ataque, a vítima dirigia um veículo vermelho pela Rua João José Pereira quando ocupantes de um Jeep escuro emparelharam ao lado do automóvel. O passageiro do Jeep baixou o vidro e disparou diversas vezes contra a janela do motorista. Mesmo atingido por múltiplos tiros, Adriano percorreu cerca de 50 metros até colidir o carro e perder a consciência, morrendo antes do acesso ao socorro médico.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil e a denúncia formulada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) concluíram que os executores praticaram o crime por encomenda, motivados por disputas políticas, litígios interpessoais e divergências sobre divisas de propriedades rurais na região.
Veja também:
A repercussão do assassinato mobilizou a Assembleia Legislativa de Alagoas na mesma data, oportunidade em que o deputado Fernando Pereira cobrou celeridade e punição rigorosa aos responsáveis. A Polícia Civil apontou Carlos Henrique Ferreira Santos como o executor do homicídio e efetuou a prisão do suspeito em 21 de agosto de 2024, durante uma carreata política no município de Teotônio Vilela.
À época da prisão, o acusado constava nos registros do Portal da Transparência da Prefeitura de Junqueiro como inspetor contratado da Guarda Municipal, com vencimentos de R$ 1,9 mil. A checagem de antecedentes revelou que o réu já respondia a procedimentos por extorsão e homicídio nos anos de 2018 e 2022. O Poder Judiciário negou os pedidos de prisão domiciliar e cela especial formulados pela defesa e manteve a custódia preventiva do réu até o julgamento.
Por outro lado, o Poder Judiciário acolheu o pedido do Ministério Público e impronunciou outros dois investigados iniciais, José Fábio de Lima e Hélio da Silva. A Justiça revogou o monitoramento eletrônico e as cautelares da dupla após constatar a ausência de indícios de participação na execução do crime.



