quarta-feira, outubro 7, 2026
spot_img

Clínica volta a ser flagrada cometendo irregularidades em Anadia


Fiscalização em clínica de Anadia

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) fiscalizou, nessa terça-feira (6), a comunidade terapêutica e clínica “Jesus te Ama”, localizada na zona rural de Anadia, após receber uma denúncia anônima sobre graves violações de direitos humanos no local. Esta é a segunda vez que o estabelecimento é alvo de fiscalização em dois meses. Lembre:…

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) fiscalizou, nessa terça-feira (6), a comunidade terapêutica e clínica “Jesus te Ama”, localizada na zona rural de Anadia, após receber uma denúncia anônima sobre graves violações de direitos humanos no local. Esta é a segunda vez que o estabelecimento é alvo de fiscalização em dois meses.

Lembre: Fiscalização conjunta descobre tortura e castigos secretos em clínica de reabilitação

Durante a inspeção, as autoridades flagraram diversas irregularidades e libertaram cerca de 40 pessoas mantidas sob internação involuntária sem laudo médico justificável ou autorização judicial. A operação, conduzida pela Promotoria de Justiça de Anadia em parceria com o Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos e Direito Internacional (DDHDI), resultou no resgate imediato dos internos e na condução do proprietário do estabelecimento à delegacia.

As promotoras Viviane Farias e Alexandra Beurlen encontraram um cenário degradante, dividido entre uma comunidade terapêutica clandestina e uma suposta clínica sem permissão sanitária ou legal para funcionar. Na ala dos idosos, a equipe constatou a apropriação indébita de cartões bancários e proventos de aposentadoria, além de condições de saúde debilitadas que exigiram o socorro de emergência via ambulância para dois pacientes.

A fiscalização revelou também a presença ilegal de um adolescente de 15 anos mantido em cativeiro em uma estrutura voltada exclusivamente para adultos. O jovem foi imediatamente resgatado e entregue aos cuidados do Conselho Tutelar.

Castigos físicos, tortura e quarto escuro

Durante a vistoria, os internos relataram episódios sistemáticos de maus-tratos e punições severas, como a obrigação de esvaziar uma piscina inteira utilizando apenas baldes. A situação mais crítica envolvia um quarto escuro, abafado e sem ventilação, onde os responsáveis amarravam os pacientes com cordas nos pulsos e tornozelos por dias.

Veja também: Após flagrante, Justiça liberta idoso mantido amarrado em clínica irregular em Anadia

O adolescente resgatado detalhou o sofrimento vivido no local:

“Eu fiquei só de cueca, dois dias nesse local. Fui pra lá porque o filho do missionário disse que ia pegar minha mãe, eu respondi, aí ele me colocou lá. Mas também já tive que secar a piscina com um balde. Quando minha família veio me visitar, eu não contei isso porque eles diziam que iriam elevar minha punição. Eu dei uma de feliz, porque se eu contasse, ia sofrer uma nova punição. Eu tava há cinco dias sem comer. A salsicha quando vinha era com cheiro de podre. Aqui eu tive febre, dor de cabeça, tontura. Eu tô feliz que vou voltar pra casa”

Ação policial e prisão em flagrante

A equipe do MPAL cobrou a apresentação dos laudos psiquiátricos e das ordens judiciais individuais que justificassem o isolamento dos pacientes, mas os administradores não entregaram nenhum documento válido. A Polícia Militar e a Polícia Civil compareceram ao endereço para registrar os flagrantes e prender o dono da clínica.

ACOMPANHE O ALAGOAS 24 HORAS NO INSTAGRAM

A promotora de Justiça Viviane Farias destacou a reincidência das infrações no estabelecimento:

“Essa é a segunda inspeção que fazemos à clínica em menos de dois meses e constatamos a manutenção de muitas irregularidades, como indício de cárcere privado e retenção de recursos dos pacientes, além de outras que serão investigadas pelo Ministério Público de Alagoas, por meio do ajuizamento de ação civil pública e de outras medidas que se façam necessárias”

O delegado Medson Maia, da Delegacia Distrital de Anadia, instaurou o procedimento policial e colheu o depoimento das vítimas:

“Encontramos indícios fortes de retenção de documentos e valores, cárcere privado, talvez maus tratos, e estamos com os responsáveis na delegacia em processo de prisão em flagrante. Vamos abrir inquérito policial para robustecer e encaminhar para a Justiça”

Ao término da operação, a Prefeitura de Anadia e o MPAL disponibilizaram veículos para transportar os sobreviventes em segurança de volta às suas famílias. Apenas quatro monitores da instituição optaram por permanecer no imóvel.





Fonte: Alagoas 24h

Leia Também

- Publicidade -spot_img

ÚLTIMAS NOTÍCIAS