Motocicleta havia ficado para a esposa durante processo de divórcio | Reprodução TVPajuçara
Ex-marido registrou boletim de ocorrência falso, articulou ameaças e tentou fazer a vítima parecer criminosa; Polícia Civil descobriu a farsa e prendeu os envolvidos em flagrante
A Polícia Civil prendeu em flagrante nesta terça-feira (16), um homem acusado de forjar um boletim de ocorrência de furto de motocicleta para incriminar a ex-esposa, em meio a um processo de separação. Segundo a investigação, ele articulou a falsa denúncia com a ajuda de comparsas, chegando a usar áudios enviados por terceiros que se passavam por policiais para intimidar a mulher. O caso foi descoberto após contradições nos depoimentos e análise das provas apresentadas.
De acordo com o delegado Vladimir José Silva, responsável pelo caso, o homem não aceitava a divisão de bens com a ex-esposa e decidiu agir de forma “ardilosa e perigosa” para tentar colocá-la atrás das grades. Para isso, ele procurou o antigo proprietário da motocicleta e o convenceu a registrar um boletim de ocorrência de furto, mesmo sabendo que o crime nunca havia acontecido.
A situação começou a levantar suspeitas quando a polícia localizou a motocicleta e analisou o conteúdo do boletim de ocorrência. “A narrativa apresentada não batia com a verdade. Quando comparamos o boletim, os termos de declaração e os áudios apresentados, ficou claro que se tratava de uma simulação”, explicou o delegado, em entrevista à TVPajuçara.
Além da falsa comunicação de crime, a investigação revelou que um terceiro envolvido enviou mensagens e áudios à vítima se passando por policial, ameaçando-a e dizendo que uma viatura iria prendê-la caso ela não cumprisse determinadas ordens.
Mulher procurou a delegacia
Temendo as ameaças, a mulher decidiu ir à delegacia, onde apresentou todo o material, incluindo os áudios intimidatórios. Com as provas reunidas, a Polícia Civil deu voz de prisão ao ex-marido e ao comparsa que participou diretamente da falsa denúncia.
Ambos foram encaminhados à Central de Flagrantes no in´ciio da noite de hoje. Eles devem passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (17), quando o Judiciário decidirá se responderão ao processo em liberdade ou se serão encaminhados ao presídio.
Crimes cometidos
O principal investigado responderá pelo crime de denunciação caluniosa, cuja pena varia de dois a oito anos de prisão e não admite fiança. Segundo o delegado, o homem possui histórico de violência doméstica, o que poderá pesar na decisão judicial. “Esse tipo de crime é grave. Se o magistrado entender que os antecedentes indicam reincidência e periculosidade, ele pode ser mantido preso”, afirmou.
O outro envolvido, que não possui antecedentes criminais, alegou ter sido ludibriado, mas também responderá por participação no crime. A polícia ainda investiga a identidade do terceiro homem que enviou os áudios se passando por policial e não descarta novas prisões.
Para o delegado, o caso reforça a importância de denunciar ameaças e confiar no trabalho investigativo. “Os boletins de ocorrência são analisados com rigor. Quando há algo errado, a polícia identifica e toma as providências. Essa mulher poderia ter sido presa injustamente, mas teve coragem de procurar a delegacia e dizer a verdade”, concluiu.



