sexta-feira, março 27, 2026
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Humorista é condenado por fazer piada de cunho capacitista com participante de reality


Participante de reality Ana Bianca Sessa (à dir.) publicou vídeo chorando após humorista Marcelo Duque (à esq.) fazer piada de cunho capacitista — Foto: Reprodução/Instagram

O humorista Marcelo Duque foi condenado a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais à Ana Bianca Sessa, que participou de um reality show. Conforme apurado pelo g1 nesta quinta-feira (16), ele também está proibido de fazer qualquer tipo de piada sobre o fato de a mulher não ter a mão esquerda, sob…

O humorista Marcelo Duque foi condenado a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais à Ana Bianca Sessa, que participou de um reality show. Conforme apurado pelo g1 nesta quinta-feira (16), ele também está proibido de fazer qualquer tipo de piada sobre o fato de a mulher não ter a mão esquerda, sob pena de multa no valor de R$ 5 mil.

Bianca, de 31 anos, entrou com uma ação após o humorista fazer uma piada sobre a participação dela no programa. A 3ª Vara Cível de Santos, no litoral de São Paulo, entendeu se tratar de um comentário de cunho capacitista e determinou a exclusão do vídeo que ultrapassava 500 mil visualizações.

“Quando você casa, onde você põe a aliança? Em qual mão? Esquerda! Na mão esquerda. Como chama o programa que acabei de falar? Casamento às Cegas. A mulher que está participando não tem a mão esquerda. Ela vai ser uma eterna noiva”, disse Duque há aproximadamente dois anos.
Em abril deste ano, o humorista foi condenado em primeira instância a pagar uma indenização de R$ 30 mil a Bianca. Duque recorreu da decisão, mas o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) manteve a condenação em segunda instância, tendo apenas diminuído o valor para R$ 10 mil.

“Ainda que seja óbvio que a ausência de uma das mãos não inviabiliza o casamento, a sátira feita pelo réu toca em incontroverso preconceito estrutural. E, tanto é verdade que, após responder à fala do réu, a autora foi alvo de inúmeros comentários e críticas maldosas em suas redes sociais”, destacou a relatora Maria do Carmo Honório na decisão do último sábado (11).

Ainda de acordo com a relatora, o valor foi reduzido porque a quantia fixada em primeira instância era exagerada, principalmente se for considerado que não houve menção do nome de Bianca. “A identificação exigia conhecimento prévio e específico do programa”, afirmou Maria.

Participante e humorista
Ao g1, Bianca comemorou a decisão da Justiça. Ela lembrou ter ficado em estado de choque porque estava começando a se tornar uma pessoa pública e fora surpreendida com dezenas de comentários preconceituosos após a repercussão do vídeo do humorista.

“Me deixava muito chateada porque eu olhava o vídeo, era uma pessoa falando e uma plateia rindo. Então, eu me senti muito humilhada”, lembrou a mulher. “Infelizmente, eu acho que esse preço para quem sofre e é vítima do preconceito é muito mais alto do que para quem é o agressor […], mas ainda assim é uma vitória, é um passo, um exemplo, é jurisprudência”, acrescentou a participante do reality.

Duque, de 38 anos, afirmou à equipe de reportagem que ainda não conversou com o advogado sobre a possibilidade de recorrer da decisão mais uma vez. O humorista destacou que o trabalho dele é fazer piadas sobre situações cotidianas, assuntos populares e a vida de pessoas públicas.

“Os comediantes recorrem para tentar provar que estamos só fazendo o nosso trabalho, a gente não está ali querendo falar algo específico para essa pessoa porque não tem como ser pessoal sobre alguém que você nem conhece”, disse Duque. “É a primeira vez que eu estou falando sobre isso porque […] é difícil explicar que piada é piada. Não tem algo pessoal, não tem nada por trás”, finalizou ele.

Defesas
A advogada de Bianca, Anna Luiza dos Anjos Araújo Andrade, afirmou que o valor da indenização revela uma “persistência de desafios na concretização de uma reparação justa e proporcional à dor experimentada”. Apesar disso, ela destacou que a decisão representa um precedente relevante no combate ao capacitismo, reafirmando que o Poder Judiciário o reconhece como preconceito.

O g1 tentou contato com o advogado do humorista, mas não o localizou até a última atualização desta reportagem.

O que é capacitismo?
O g1 preparou uma explicação sobre o que é capacitismo após o cantor Nattan chamar atenção nas redes sociais ao pagar mil reais para um homem beijar uma mulher com nanismo em um show.





Fonte: Alagoas 24h

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