Fiscalização em laboratório forense
O Ministério Público de Alagoas identificou nesta terça-feira, 31, equipamentos avaliados em mais de R$ 2,4 milhões sem uso há cerca de um ano no laboratório forense do estado, devido à falta de estrutura física adequada. A constatação ocorreu durante fiscalizações realizadas no primeiro semestre de 2026 em unidades da Segurança Pública na capital, com…
O Ministério Público de Alagoas identificou nesta terça-feira, 31, equipamentos avaliados em mais de R$ 2,4 milhões sem uso há cerca de um ano no laboratório forense do estado, devido à falta de estrutura física adequada. A constatação ocorreu durante fiscalizações realizadas no primeiro semestre de 2026 em unidades da Segurança Pública na capital, com o objetivo de verificar condições de funcionamento e apoiar a elucidação de crimes.
Segundo o MPAL, os aparelhos poderiam ser utilizados em análises fundamentais para investigações, como identificação de sangue, sêmen e fios de cabelo em cenas de crime, confirmação de identidade de corpos e detecção de drogas, venenos, combustíveis e substâncias tóxicas.
Equipamentos parados
Entre os equipamentos parados estão um cromatógrafo líquido acoplado à espectrometria de massa, um cromatógrafo gasoso com detector por ionização em chama e um analisador genético, adquiridos com recursos do Ministério da Justiça e do Fundo Nacional de Segurança Pública.
A promotora de Justiça Karla Padilha criticou a situação e cobrou providências.
“São todos necessários para cumprimento de demandas emanadas pelo Ministério Público como titular da ação penal e também da Polícia Judiciária. Esses equipamentos poderiam estar prestando grandes serviços, ajudando na identificação de criminosos, como autores de crimes sexuais, entre outros, mas estão parados dentro da sala, porque não houve iniciativa de se construir um anexo a esse laboratório, algo que até já foi prometido. Por que essas coisas não caminham? Isso é dinheiro público parado, e esses equipamentos, não sendo usados em tempo hábil, correm risco de sofrerem danos por estarem mal acondicionados. Isso é malversação de recursos públicos”, afirmou.
Problemas identificados nas inspeções
As inspeções também revelaram problemas estruturais em mais de 30 unidades da Segurança Pública, incluindo prédios com infiltrações, mofo, móveis deteriorados, falta de materiais básicos e equipamentos com defeito.
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De acordo com a promotora, em alguns casos há risco à segurança dos próprios agentes:
“Nas fiscalizações que realizamos, encontramos muitos problemas comuns de estrutura, como mofo, ar-condicionado com defeito, móveis deteriorados, infiltração, prédios precarizados, falta de material de expediente e de material de limpeza, o que muitas vezes leva os próprios agentes públicos a fazerem cotas entre si para darem cabo dessas necessidades”, destacou.
Ela também alertou para situações mais graves. “É preciso que a Secretaria de Segurança Pública dê conta das providências nesses casos, mas não observamos nenhum tipo de compromisso com a aceleração desses processos”, disse.
Medidas legais
Diante das irregularidades, o MPAL informou que deve adotar medidas legais, incluindo a propositura de ações civis públicas. “Há uma morosidade sistêmica para que se desenvolvam atividades de forma adequada e eficaz”, reforçou a promotora.
As fiscalizações fazem parte do calendário semestral do Ministério Público, seguindo diretrizes do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para monitorar a estrutura e o funcionamento dos órgãos ligados à atividade policial.



