Noah Gabriel
Um ato de crueldade que chocou o município de Murici, a 51 quilômetros de Maceió e comoveu Alagoas terminou em prisão nesta sexta-feira, 23. Um pai desviou mais de R$ 113 mil arrecadados para o tratamento do próprio filho, um bebê de apenas 1 ano e 5 meses que teve braços e pernas amputados após…
Um ato de crueldade que chocou o município de Murici, a 51 quilômetros de Maceió e comoveu Alagoas terminou em prisão nesta sexta-feira, 23. Um pai desviou mais de R$ 113 mil arrecadados para o tratamento do próprio filho, um bebê de apenas 1 ano e 5 meses que teve braços e pernas amputados após uma pneumonia grave. O dinheiro, doado por pessoas sensibilizadas com a tragédia da criança, foi gasto em jogos de apostas online, drogas e aluguel de carro.
O menino Noah Gabriel Ferreira dos Santos mobilizou uma corrente de solidariedade que ultrapassou os limites do município, com rifas, campanhas e apelos em programas de televisão. No momento mais agudo da doença, teve derrame pleural, quadro que rapidamente evoluiu para uma infecção severa, sofrendo oito paradas cardíacas consecutivas e entrando em choque séptico. Para salvar sua vida, médicos precisaram amputar membros devido à necrose.
Enquanto a mãe acompanhava o filho internado em Maceió, o pai, que terá o nome preservado, abriu uma conta bancária em nome da criança e passou a receber as doações. Quando chegou o momento de custear próteses e tratamentos essenciais, restavam menos de R$ 300 na conta.
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O próprio pai confessou ter gasto o valor em plataformas de apostas, como o chamado “jogo do tigrinho”, além da compra de cocaína, maconha e do aluguel de um veículo por quase um mês. Segundo a mãe, Mikaelle Christina Ferreira dos Santos, ele nunca prestava contas e sempre se esquivava ao ser questionado sobre o dinheiro.
Assista ao vídeo gravado pela mãe e divulgado nas redes sociais:
Diante da denúncia, o Ministério Público de Alagoas (MPAL), por meio da Promotoria de Justiça de Murici, ofereceu ação penal contra o acusado. A promotora de Justiça Ilda Regina classificou o caso como estarrecedor e destacou o contraste entre a solidariedade coletiva e a frieza do genitor.
O MPAL denunciou o pai do menor pelos crimes de furto qualificado, estelionato contra vulnerável e abandono material, além de solicitar a prisão preventiva. O pedido foi acolhido pela Justiça, e o mandado de prisão foi cumprido no início da tarde desta sexta-feira (23).
“O genitor comprovou não se preocupar com o filho, ignorando-o, agindo com frieza, irresponsabilidade, então, tomando conhecimento, fora solicitada a instauração de inquérito policial à autoridade competente , tendo sido encaminhado na data de ontem, concluído, e hoje protocolamos a correspondente ação criminal, pelos crimes de furto qualificado, estelionato contra vulnerável, e abandono material, com pedido de decretação de prisão preventiva, a qual fora acatada pela excelentíssima juíza titular de Murici, tendo sido cumprido o mandado de prisão do indivíduo no começo da tarde”, afirmou a promotora de Justiça.
Veja o que fala a promotora:
O caso segue agora sob responsabilidade do Judiciário, enquanto Noah continua dependendo de novos recursos para dar continuidade ao tratamento e à colocação de próteses.



