terça-feira, março 17, 2026
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Permita-se querer verdadeiramente – Alagoas 24 Horas: Líder em Notícias On-line de Alagoas


A aproximação do fim do ano geralmente provoca nas pessoas um balanço de tudo que foi alcançado e do que ainda precisa de mais planejamento e atenção. Junto das comemorações do natal e réveillon, muitos começam a fazer seu plano de metas para o ano seguinte, pelos mais diversos motivos: um novo emprego que se…

A aproximação do fim do ano geralmente provoca nas pessoas um balanço de tudo que foi alcançado e do que ainda precisa de mais planejamento e atenção. Junto das comemorações do natal e réveillon, muitos começam a fazer seu plano de metas para o ano seguinte, pelos mais diversos motivos: um novo emprego que se mostra necessário; uma mudança no peso, tanto por questões de saúde como de estética; uma nova formação acadêmica que pode trazer ganhos; etc..

Uma organização consciente das possibilidades que se tem em mãos somente estará completa se houver uma compreensão realista e honesta de nossa vivência emocional subjetiva e dos enlaces externos vinculados a ela; aquilo a que venho chamando de “consciência emocional”. Não é incomum ou estranho que muitos reclamem de não conseguir alcançar as próprias metas, geralmente por se perder no meio do caminho, por começar a colocar algo em prática e não conseguir levar adiante por muito tempo. Essa autossabotagem está bastante ligada à nossa autoimagem e às crenças – realistas ou não – que mantemos sobre nós e sobre o meio externo.

Há um complexo conjunto de fatores que formam nossa situação subjetiva individual, geralmente chamada de self. O self ou o “eu”, se assim preferir, é impregnado do nosso histórico de desenvolvimento psicológico, que é bastante interpessoal – e um tanto biológico também. Vamos nos tornando quem somos de forma bastante relacional, isto é, mediante nosso relacionamento com as outras pessoas, mas também, com o relacionamento que mantemos conosco mesmos. A métrica da nossa capacidade, nosso merecimento, daquilo que nos é permitido ou não é, em última análise, nosso diálogo interno quem vai pontuando.

Existe, desde nosso nascimento, uma borbulhante atmosfera interna que aos poucos vai se adequando – inclusive por maturidade neurológica – à realidade externa. Vamos aprendendo a diferenciar nosso corpo do corpo da mãe (ou figura materna), das demais pessoas, aprendendo a diferenciá-las entre si, compreendendo de modo mais ou menos inconsciente a diferença entre o externo e o interno, construindo como diz Melanie Klein, um mundo interno que direcionará nosso estado de espírito, nossas fantasias, a confiança que sentimos nos outros, etc.. Nossas vivências, particularmente as da infância, vão dando direção ao desenvolvimento do mundo interno e do self como um todo. Quanto melhores as vivências, mais pacífico será o mundo interno e mais saudável será o desenvolvimento do self. O oposto, idem. A proporção dos sofrimentos e desafios que enfrentarmos, possivelmente será também a das defesas que serão desenvolvidas e da rachadura que será produzida no self e em nossa autoimagem ao longo do tempo. Isso impacta bastante em como o indivíduo lida consigo mesmo e com os outro ao redor. Esmiuçando a questão, há um tempo eu disse o seguinte:

“(…) a pessoa dita mentalmente e emocionalmente saudável, é aquela que sabe respeitar limites e também impor limites sem com isso partir para agressões verbais ou físicas. Entende que nem tudo será da forma como deseja e se sente à vontade com isso. Sente uma ‘liberdade interna’ para ser ela mesma sem enraizadas preocupações com opiniões de terceiros. Tende a ser, também, uma pessoa mais generosa (…). É, acima de tudo, uma pessoa aberta às novas experiências, a reconhecer os próprios erros e a perdoar, tanto a si como a quem atravessou seu caminho para lhe fazer algum mal” (BUZONI, 2021, p. 25-26).

Geralmente as dificuldades em levar os próprios projetos adiante estão intimamente ligadas às defesas que foram construídas em torno do nosso self, do nosso eu verdadeiro, das nossas verdades particulares. Acreditar que não vai conseguir fazer tal coisa porque “não merece” ou porque “deveria querer algo diferente”, está mais ligado a discursos ouvidos ao longo dos anos do que a uma incapacidade real particular. Uma busca consciente por si mesmo é capaz de, aos poucos, ir quebrando as barreiras subjetivas em direção a uma vida mais plena e feliz. Permitir-se querer verdadeiramente aquilo que se quer é ao mesmo tempo a causa e também a consequência disso. As barreiras que colocam a vida em estagnação não estiveram sempre ali e, da mesma forma, não precisam continuar estando. Buscar autoconhecimento de modo realista irá ajudar no processo. A “liberdade interna” ganha cada vez mais espaço na medida em que o autoconhecimento e a autoaceitação avançam. Um fato curioso que venho observando ao longo dos anos é que nossa liberdade interna pessoal nos leva a incentivar a liberdade interna nas outras pessoas. Talvez esse fator mereça ser reconhecido como o corolário do mundo interno feliz, esperançoso e resiliente: ele é livre e quer encontrar liberdade nas pessoas forem surgindo. Permita-se querer verdadeiramente aquilo que se quer; querer com emoção, boas expectativas e muita liberdade.

REFERÊNCIAS

BUZONI, D. Cosciência emocional: o manual do paciente. Rio de Janeiro: Autografia, 2021.

Douglas Marcel da Silva Buzoni possui graduação em psicologia (UNIFRAN, 2016), especializações em MBA – gestão em marketing e recursos humanos (FCETM, 2020), direção de arte (ANHANGUERA, 2024), MBA em engenharia de produção (ANHANGUERA, 2025) e em psicologia escolar e educacional (FACUMINAS, 2025).





Fonte: Alagoas 24h

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