Textor e seu ‘conto de fadas’ – Foto: Vítor Silva/Botafogo
O Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV) decidiu afastar John Textor do comando da SAF do Botafogo. A deliberação decorre de uma notificação feita pela Eagle Bidco à Câmara. A informação é do jornal O Globo. A Eagle Bidco é quem detém as participações nos clubes, como Botafogo e Lyon, e é subordinada à…
O Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV) decidiu afastar John Textor do comando da SAF do Botafogo. A deliberação decorre de uma notificação feita pela Eagle Bidco à Câmara. A informação é do jornal O Globo.
A Eagle Bidco é quem detém as participações nos clubes, como Botafogo e Lyon, e é subordinada à Eagle Football Holdings. Ainda que Textor tenha poder sobre a Eagle Holdings, ele não tem atuação sobre a subsidiária.
Quem controla a Eagle Bidco é a Cork Gully (responsável pelo anúncio de venda da SAF no Financial Times). A empresa de consultoria em reestruturação financeira e operacional foi escolhida em um processo na Inglaterra pelo fundo Ares, credor da Eagle Bidco.
TEXTOR NÃO PODE RECORRER
O processo na Arbitragem não é judicial e não há como o empresário recorrer. No dia 29, após a empresa se manifestar, a decisão pode ser revista. Até lá, porém, não há como realizar a Assembleia Geral Extraordinária prevista para o dia 27. O encontro iria deliberar sobre os rumos da SAF.
A notificação da Eagle Bidco, detentora de 90% da SAF do Botafogo, já havia sido feita em 2025 e foi reiterada no último sábado, dia 18. O clube social, detentor dos outros 10%, concordou com o movimento.
Depois da notificação, a SAF do Botafogo ingressou com pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). A Justiça do Rio de Janeiro concedeu liminar favorável à solicitação.
DEMISSÃO PODERIA TER SIDO ANTES
Textor já poderia ter sido afastado da SAF. Em janeiro, ele foi retirado do controle da Eagle Bidco. Na tentativa de retomar o comando, Textor chegou a demitir dois diretores independentes da Bidco, mas a manobra foi revertida.
O clube social foi à Justiça do Rio de Janeiro tentando reduzir os poderes de Textor sobre a SAF. O TJ-RJ determinou, em outubro de 2025, que a governança da SAF do Botafogo não poderia ser alterada até a conclusão de arbitragem conduzida pela FGV.
O órgão é independente, com regimento próprio, privado e confidencial. A Câmara é utilizada para resolução de conflitos. Desde 1996, a legislação brasileira permite o serviço. A decisão tem poder de sentença judicial.
TEXTOR INVESTIU E CONQUISTOU TÍTULOS
Textor tornou-se acionista majoritário da SAF em 2022, assumindo o passivo histórico e prometendo investir cerca de R$ 400 milhões no futebol.
Sob sua gestão, o clube modernizou a infraestrutura do CT e do Estádio Nilton Santos, além de investir no departamento de análise de mercado. Em campo, vieram os títulos do Campeonato Brasileiro e da Libertadores em 2024.
Na avaliação do economista Cesar Grafietti, especialista em finanças do futebol, a crise do Botafogo está diretamente ligada à forma como a SAF foi estruturada.



