Policial militar agride participante de protesto no Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp
Um policial militar foi filmado agredindo uma mulher que participava de um protesto no Recife no fim da tarde da quarta-feira (8). Imagens enviadas para a TV Globo mostram o momento da agressão. É possível ver que o PM bate na participante da manifestação na altura do pescoço e em seguida dá um golpe chamado “mata-leão” para…
Um policial militar foi filmado agredindo uma mulher que participava de um protesto no Recife no fim da tarde da quarta-feira (8). Imagens enviadas para a TV Globo mostram o momento da agressão. É possível ver que o PM bate na participante da manifestação na altura do pescoço e em seguida dá um golpe chamado “mata-leão” para imobilizá-la.
Ela participava de um protesto na Ponte Marechal Castelo Branco, conhecida como Ponte da Caxangá, na Zona Oeste do Recife, quando foi agredida. Os manifestantes cobravam do governo de Pernambuco o pagamento do auxílio emergencial de R$ 2,5 mil para famílias atingidas pelas chuvas que deixaram 27 cidades em situação de emergência em maio.
A mulher, que prefere não ser identificada, contou à TV Globo que o protesto acontecia de forma pacífica e em diálogo com os policiais quando foi agredida.
“Estava todo mundo fazendo protesto civilizadamente, ninguém agrediu ninguém. […] Aí, do nada, chega esse policial, na hora [em] que eu estava com o garrafão de gasolina na mão […] Aí eu fui jogar o garrafão no rio, jogar o garrafão seco, já para ninguém tocar fogo mais, não fazer mais nada. Quando eu jogo o garrafão no rio, quando eu viro de costa, o policial foi dando a tapa nas minhas costas e pegando no meu pescoço. E eu sem entender nada, eu não conseguia falar, eu não conseguia reagir em nada. Foi quando ele me deu a ordem de prisão”, disse.
Ainda de acordo com o relato da mulher, outros manifestantes foram atingidos por spray de pimenta e um homem foi detido sem oferecer resistência.
“Isso é abuso de autoridade. Em nenhum momento, ninguém agrediu ninguém lá. Em nenhum momento, a gente passou por cima da ordem deles. A gente acatou tudo o que eles falaram, eles abraçaram a gente, mas esse policial aí não fez o correto. […] Ele bateu em mim, coisa que não pode. Policial nenhum pode bater em mulher […] Eu fico indignada porque eu apanhei sem fazer nada”, afirmou a mulher.
Ela também contou que precisa do auxílio prometido pelo governo do estado, por isso foi ao local reivindicar o pagamento do benefício.
“Eu sou mãe de um menino autista grau 2. Meu filho não dorme de noite, meu filho não se alimenta direito desde quando teve a enchente aqui que encheu minha casa até o teto. […] Eu perdi tudo, eu não recebi apoio de nada […] A gente só estava ali procurando o direito da gente e eu saí apanhada”, declarou.
Em nota, a Polícia Militar respondeu que:
- atuou no protesto “para garantir o livre fluxo de veículos em vias da área do 12º BPM, onde manifestantes tentavam bloquear o trânsito ateando fogo em objetos”;
- “determinou a instauração de procedimento administrativo para apurar a atuação dos policiais envolvidos e verificar a eventual ocorrência de excessos durante a ação”;
- “a Corregedoria Geral permanece à disposição da população para o recebimento de relatos, denúncias ou outras informações relacionadas ao fato que possam contribuir com a apuração”.
O g1 entrou em contato com o governo de Pernambuco para explicar como está sendo realizado o pagamento do auxílio emergencial por causa das chuvas, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
- A lei estadual que criou o benefício foi sancionada no dia 14 de maio pela governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD);
- Segundo a norma, a parcela única, no valor de R$ 2,5 mil, deve ser paga a cada família que comprovar danos materiais causados por enchentes ou deslizamentos;
- O investimento previsto é de R$ 8,7 milhões para contemplar até 3,5 mil moradores atingidos nas 37 cidades do Grande Recife e da Zona da Mata;
- O auxílio é para pessoas de baixa renda, cadastradas no Cadastro Único (CadÚnico), do governo federal, que tiveram perda total ou parcial do imóvel ou a inutilização de mobiliário e eletrodomésticos de uso essencial;
- Para receber o auxílio, as famílias precisam comprovar, por documento emitido pelo município, que teve a residência danificada, exclusivamente, pelos transtornos provocados pelas chuvas;
- As pessoas que não são cadastradas no CadÚnico ou que estão com o cadastro desatualizado devem ter atendimento prioritário para cadastramento e encaminhamento ao estado.



