O ministro Flávio Dino, do STF, e a empresário Karina da Gama, produtora do filme ‘Dark Horse’. — Foto: Montagem/g1/Reprodução/STF e Agência Brasil
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) faça perícia em todo o material apreendido na Operação Wi-Fi, da Polícia Civil de São Paulo, que investigava supostos desvios de verbas públicas em favor do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O material foi…
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) faça perícia em todo o material apreendido na Operação Wi-Fi, da Polícia Civil de São Paulo, que investigava supostos desvios de verbas públicas em favor do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O material foi enviado à PF no final de agosto, após determinação do próprio Dino.
Em decisão de 13 de setembro, que levantou o sigilo do inquérito sobre o filme produzido pela empresária Karina Ferreira da Gama, Dino afirmou que o material bruto entregue pelo secretário da Segurança Pública de São Paulo, Oswaldo Nico Gonçalves, deve ser analisado por peritos da PF.
Na decisão, o ministro determinou a análise de celulares, computadores e documentos apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo durante a operação, realizada em junho.
Com isso, os policiais federais estão reexaminando todo o material transferido para Brasília, fazendo perícia em documentos e aparelhos que não tinham sido periciados pelo Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo, e refazendo a perícia em outros materiais que já tinham passado por análise no estado.
Um dos celulares que não havia passado por perícia ainda em São Paulo era justamente o que pertencia à empresária Karina da Gama, dono da produtora Go Up Entertainment – produtora do filme e do Instituto Conhecer Brasil (ICB), que tem contrato de R$ 108 milhões por ano com a prefeitura de São Paulo para instalação de wi-fi na periferia da capital paulista.
As duas empresas pertencem à Karina da Gama e estão no centro das investigações da PF sobre suposto uso de recursos públicos para a produção do filme sobre o pai do senador Flávio Bolsonaro (PL).
O próprio senador e presidenciável do PL é investigado pela Polícia Federal, em inquérito aberto para apurar a possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção do filme “Dark Horse”.
O procedimento foi autorizado em julho pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da PF. A informação de que Flávio consta na lista de investigados veio à tona, após o relator do caso levantar o sigilo a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.
Segundo a decisão, a PF investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes que teriam sido praticados, em tese, por Flávio Bolsonaro no contexto do financiamento do filme junto a Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.
Aparelhos com lacres mal fechados por agentes da Polícia Civil de São Paulo — Foto: Reprodução/Polícia CivilSuspeitas de uso de dinheiro público em SP
Relatório da Polícia Civil de São Paulo identificou “consistentes suspeitas” de que os recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP”, contratado por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB), tenham sido desviados para custear as atividades de produção do filme “Dark Horse” — sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O documento se tornou público em 13 de setembro depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, retirou o sigilo de documentos enviados pela Justiça de São Paulo.
“Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial e de que os recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP’ tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo”, diz o relatório.
A produtora Karina Ferreira da Gama, que participou da produção do filme, é apontada pelos investigadores como a principal figura por trás das entidades e empresas que aparecem na apuração.
A empresária Karina Ferreira da Gama, produtora do filme ‘Dark Horse’ e dona da ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB). — Foto: Reprodução/Redes SociaisKarina preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização que recebeu recursos de emendas parlamentares e firmou contratos com o poder público, e também é sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a investigação, a relação entre o ICB, a Go Up e outras entidades ligadas a Karina está no centro das suspeitas de confusão patrimonial e desvio de recursos públicos.
A Polícia Civil paulista também aponta, no relatório, que o Tribunal de Contas de São Paulo teria apontado ao menos vinte irregularidades graves no edital público que resultou na contratação para fornecimento de wi-fi.
“Dentre as principais vedações ignoradas pela pasta municipal, destaca-se que o edital utilizou critérios genéricos para a escolha de uma organização social sem experiência prévia no setor de telecomunicações”, acrescentou.
A Polícia Civil de SP aponta também vício, ou seja, uma falha de origem no processo de seleção e disparidade de custos.
Informa que, enquanto a empresa pública municipal Prodam cobrava do próprio município o custo de R$ 230 para a implantação de cada ponto de internet e R$ 306,00 para sua manutenção mensal, o contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil — ICB estabeleceu o valor de R$ 1.800,00 por ponto.
“Correspondendo a uma cobrança pelo menos duas vezes superior aos preços usualmente praticados pela Administração Municipal”, diz relatório da Polícia Civil.
“Verificou-se, ainda, no conteúdo das informações, a notícia de que durante o período eleitoral de 2024, a instalação dos pontos foi consideravelmente antecipada por interferência política direta, alcançando 1.605 pontos ativos no final de outubro de 2024. No entanto, após o encerramento do certame eleitoral, o ritmo de instalações desacelerou bruscamente, atingindo apenas 3.200 pontos em junho de 2025. Os 1.800 pontos restantes nunca foram instalados”, completou o documento.
Com base em balanço, a Polícia informou que o município deveria ter pago cerca de R$ 43 milhões pelos meses em que houve o fornecimento efetivo de internet aos pontos ativos.
Entretanto, observou que foram transferidos R$ 69 milhões, resultando em uma “diferença flagrante” de R$ 26 milhões pagos por serviços não prestados.



