sexta-feira, maio 15, 2026
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Audiência de PMs em Palmeira dos Índios


Gabriel Lincoln Pereira da Silva tinha 16 anos

A Justiça de Alagoas realiza, nesta sexta-feira (15), a audiência de instrução e julgamento dos policiais militares envolvidos na morte de Gabriel Lincoln Pereira da Silva, de 16 anos. O caso, que completou um ano neste mês, entra em uma fase decisiva em Palmeira dos Índios. O adolescente foi morto em maio de 2025 durante…

A Justiça de Alagoas realiza, nesta sexta-feira (15), a audiência de instrução e julgamento dos policiais militares envolvidos na morte de Gabriel Lincoln Pereira da Silva, de 16 anos. O caso, que completou um ano neste mês, entra em uma fase decisiva em Palmeira dos Índios. O adolescente foi morto em maio de 2025 durante uma abordagem policial enquanto pilotava uma motocicleta.

A audiência de amanhã é o primeiro grande passo judicial para definir se os réus serão submetidos ao Tribunal do Júri por homicídio com dolo eventual.

Defesa clama por Júri Popular

O advogado da família, Gilmar Menino, sustenta que as provas colhidas durante o inquérito são contundentes para a pronúncia dos militares. Para a defesa, a “vida foi ceifada de forma abrupta e criminosa por policiais militares”.

Segundo Menino, a expectativa é de que o caso não termine em absolvição sumária. “Entendo que o Poder Judiciário decidirá pela pronúncia dos réus e submeterá os mesmos ao escrutínio do Tribunal do Júri, uma vez que compete ao Tribunal do Júri julgar casos e crimes dolosos contra a vida”, afirmou o advogado.

Investigação desmontou versão oficial

Embora a Polícia Militar tenha alegado, na época, que o jovem estava armado e disparou contra a guarnição, o trabalho da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual (MPAL) revelou um cenário diferente:

  • Farsa e Arma Forjada: Os investigadores concluíram que Gabriel estava desarmado. Os três policiais apresentaram um revólver calibre .38 que, segundo a perícia, foi “plantado” para simular um confronto.

  • Dolo Eventual: O MPAL elevou a acusação. Para a promotoria, ao efetuar disparos pelas costas do adolescente em via pública, o sargento do Pelopes assumiu o risco de causar a morte.

  • Laudo Pericial: O exame de necropsia confirmou que um único disparo atingiu as costas de Gabriel, perfurando pulmão e coração.

Um ano de luta por Justiça

Gabriel Lincoln trabalhava com os pais em um quiosque de lanches e, na noite do crime, havia saído apenas para comprar alface. O caso gerou forte comoção social em Palmeira dos Índios, levando ao afastamento preventivo dos três militares em outubro de 2025.

A audiência desta sexta-feira (15) deve ouvir testemunhas e os acusados, servindo como base para a decisão do magistrado sobre o futuro do processo.

Lembre o caso

Na noite do sábado, 3 de maio de 2025, o adolescente de 16 anos, identificado como Gabriel Lincoln Pereira da Silva, faleceu após uma perseguição policial em Palmeira dos Índios, no Agreste de Alagoas.

De acordo com as primeiras informações, Gabriel teria sido visto realizando manobras perigosas com uma  motocicleta na avenida Bráulio Montenegro. Ao notar a aproximação de uma guarnição do Pelotão de Operações Especiais (Pelopes), ele teria desobedecido às ordens de parada, iniciando uma fuga pelas ruas da cidade.

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A versão da polícia afirma ainda que, durante a perseguição, o adolescente sacou um revólver calibre .38 e disparou contra a viatura. Em resposta, os agentes efetuaram disparos, resultando em Gabriel sendo atingido. Ele foi imediatamente socorrido pelos próprios policiais e levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade, mas não sobreviveu aos ferimentos.

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Ainda segundo os militares, uma arma teria sido apreendida no local da ocorrência. O laudo da necropsia aponta que o adolescente foi atingido um único disparo pelas costas, que perfurou o pulmão e o coração.

A família do jovem contestou, durante todo o processo, a explicação apresentada pela Polícia Militar desde o início. Eles alegam que  foram impedidos de acompanhar o atendimento médico e de obter informações sobre o estado de saúde do menor.

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Ainda segundo eles, o jovem estava trabalhando com os pais no quiosque de lanches e saiu para comprar alface quando o desfecho triste aconteceu.

A Polícia Civil iniciou as investigações do caso oficialmente na segunda-feira seguinte (5), mesmo dia em que o corpo do menor foi velado na casa da avó e enterrado sob grande comoção.

Em determinado momento, os rituais fúnebres precisaram ser interrompidos por alguns minutos para realização de perícia por parte de integrantes da Polícia Científica de Alagoas. O local foi esvaziado para que os peritos realizassem exames técnicos, incluindo o residuográfico, uma vez que a Polícia Militar alega que o adolescente atirou contra a guarnição durante uma perseguição.

O procedimento foi considerado anormal por familiares, sobretudo, porque o pai do adolescente já havia relatado que este mesmo exame foi negado pelo Instituto Médico Legal de Arapiraca, mesmo após pedido do advogado da família, sob a alegação de que o corpo já havia sido limpo.

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A investigação foi conduzida por uma comissão de delegados, que realizou as oitivas com cerca de 15 pessoas, entre testemunhas, familiares, moradores da região e os policiais envolvidos que foram afastados das ruas e realocados para funções administrativas.

Fizeram parte dela os delegados Alexandre Leite, da Diretoria de Polícia Judiciária 3 (DPJ3), Sidney Tenório, diretor da DPJ1, e João Paulo Tenório, coordenador da DH da 5ª Região.

Imagens de câmeras de segurança auxiliaram nas investigações.

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Fonte: Alagoas 24h

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