O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) detalhou os resultados da Operação Rede Interrompida, deflagrada nesta terça-feira (4) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
A investigação começou a partir de um relatório produzido pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP) que monitorou conversas em grupos abertos da plataforma digital de mensageria Telegram. As investigações tiveram início na primeira quinzena do mês de junho.
O grupo suspeito discutia o planejamento de atos violentos em Brasília, como invasões a prédios públicos do centro da capital federal, entre eles os da Esplanada dos Ministérios e do Supremo Tribunal Federal, no período eleitoral, em outubro, e atentado a bomba durante debates eleitorais. Nas mensagens analisadas, não havia menção direta a autoridades.
Em entrevista coletiva na sede do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em Brasília, o diretor de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Anchieta Nery, explicou que o que se apurou na Operação Rede Interrompida não diz respeito meramente a opiniões emitidas nas redes sociais. “[Houve] sim a própria intolerância e planejamento de atos severos de violência. Por isso, havia a necessidade de uma atuação rápida e integrada para que não tivesse a possibilidade de ocorrer qualquer sinistro.”
Aos jornalistas, o ministro da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Wellington César Lima e Silva, destacou que o laboratório teve papel essencial na produção de inteligência para compartilhar informações com os órgãos competentes e que atuação integrada e qualificada melhora o combate aos crimes. “O Ministério da Justiça e Segurança Pública cumpriu seu papel de articulador nacional, promovendo a cooperação interfederativa, compartilhando informações estratégicas e coordenando esforços para que a União e os estados atuassem como um único sistema de proteção da sociedade.”
Gravidade das apreensões
A Polícia Civil do DF contou com apoio das forças policiais de cinco estados para desarticular a rede de extremistas.
Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul, como detalhou o delegado-geral da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), José Werick de Carvalho. “As polícias desses estados participaram ativamente da operação monitorando os alvos, localizando os endereços.”
Entre os materiais apreendidos estão manuais para fabricar explosivos, mapas da região central de Brasília, de ministérios e a planta baixa do Palácio do Planalto, localidades classificadas pelos investigados como alvos primários.
O chefe da PCDF destaca que o objetivo foi identificar precocemente processos de radicalização e intervir antes da consolidação dos episódios violentos. “Destaco a proteção dos cidadãos, das autoridades, do patrimônio público e do patrimônio particular de Brasília e do Distrito Federal, que sempre aparece como alvo e destino dessas tentativas e práticas violentas”, listou o delegado-geral.
Perfil dos investigados
O coordenador de inteligência da Polícia Civil do Distrito Federal, o delegado Maurílio Coelho explicou que inicialmente, o objetivo principal da operação era apenas o cumprimento de mandado de busca e apreensão, sem mandados de prisão nesse primeiro momento. “A investigação optou por não pedir a prisão dos investigados.”
Os oito investigados têm entre 19 e 31 anos — com predominância da faixa dos 19 aos 25 — e atuam em diferentes áreas profissionais ou estão desempregados. Nenhum deles possui antecedentes criminais e os membros não se conhecem pessoalmente, apenas pela internet, conforme detalhou Maurilio Coelho.
Discurso de ódio nas redes
Além de recrutar novos integrantes, as conversas abertas também serviram para os suspeitos disseminarem conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos.
A secretária Nacional de Acesso à Justiça do MJSP, Sheila de Carvalho, afirmou que o combate ao ódio e à aversão às mulheres nas redes sociais como um dos maiores desafios atuais do país.
Ela ressaltou a mobilização inédita do Pacto Brasil contra o Feminicídio, que une os três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) em um esforço conjunto para proteger meninas e mulheres no país.
Sob a gestão do Ministério da Justiça, ela detalhou as quatro frentes principais da Estratégia Nacional Mulher Segura. “O Sistema Integrado Mulher Segura fortalece uma atuação com inteligência e estratégia no âmbito das unidades federativas. As duas operações de hoje nos dão a dimensão da importância desse trabalho integrado das polícias”, concluiu a secretária Sheila de Carvalho.



