Erinaldo (à esquerda) foi localizado e Júnior Silvino segue desaparecido
O desaparecimento do alagoano Júnior Silvino da Silva, ocorrido durante uma viagem de ônibus interestadual entre São Paulo e Alagoas, completa dois anos em maio de 2026 sem que a polícia ou a família tenham qualquer pista concreta sobre o seu paradeiro. O caso mobiliza o Ministério Público e as Polícias Civis de três estados…
O desaparecimento do alagoano Júnior Silvino da Silva, ocorrido durante uma viagem de ônibus interestadual entre São Paulo e Alagoas, completa dois anos em maio de 2026 sem que a polícia ou a família tenham qualquer pista concreta sobre o seu paradeiro.
O caso mobiliza o Ministério Público e as Polícias Civis de três estados (São Paulo, Minas Gerais e Alagoas), mas a falta de respostas e os depoimentos contraditórios da única testemunha mantêm o episódio sob um forte clima de dúvida e angústia para os familiares, que cobram justiça e agilidade nas buscas.
Confusão no ônibus e o sumiço na estrada
O drama começou no dia 8 de maio de 2024, quando Júnior embarcou em São Paulo acompanhado do amigo Erinaldo Clemente da Silva, com destino a Maceió. No meio do trajeto, durante uma parada no município de São Gonçalo do Sapucaí, no interior de Minas Gerais, uma suposta acusação de importunação sexual feita por uma passageira contra Júnior deu início a um forte tumulto dentro do coletivo.
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No meio da confusão, assustados, Júnior e Erinaldo desceram do veículo e correram em direções opostas em direção à rodovia. O ônibus seguiu viagem e chegou ao destino final sem os dois passageiros. Meses depois, Erinaldo reapareceu e prestou depoimento, mas as suas declarações não ajudaram a localizar o amigo.
Contradições e busca em bancos de dados nacionais
O Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos do Ministério Público de Alagoas (PLID/AL) acompanha o caso de perto. Em entrevista à TVPajuçara, a coordenadora do PLID, promotora de Justiça Marluce Falcão, revelou que as autoridades revisitaram minuciosamente todo o histórico e cruzaram dados em nível nacional em busca de qualquer sinal de vida do alagoano.
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A promotora detalhou a ausência completa de rastros civis ou digitais deixados por Júnior desde a data do desembarque forçado na rodovia mineira:
“Não há registro de óbito, não há vínculo recente com sistemas públicos e nenhum sinal concreto do seu paradeiro”
Além do silêncio nos cadastros governamentais, os depoimentos de Erinaldo — o amigo que viajava com Júnior — trouxeram ainda mais desconfiança para a linha de investigação. As autoridades identificaram sérias divergências entre as versões apresentadas por ele logo após o sumiço e nos interrogatórios posteriores. Marluce Falcão frisou que a instituição não abandonará as buscas enquanto o mistério não for desvendado:
“Enquanto Júnior estiver desaparecido, o caso segue sob monitoramento. Ainda não há qualquer confirmação sobre o paradeiro dele”
Falta de imagens dificulta o trabalho da polícia
A Polícia Civil de Alagoas informou que cumpriu todos os procedimentos cabíveis em território alagoano, colhendo depoimentos de familiares e repassando o compilado de informações para a Polícia Civil de Minas Gerais, que lidera o inquérito por ser o estado onde o fato aconteceu.
Contudo, os investigadores enfrentam uma barreira técnica importante: a ausência de acesso às imagens do circuito interno de segurança do ônibus. Os arquivos poderiam revelar a real dinâmica da confusão, quem participou do tumulto e o comportamento de Júnior e Erinaldo antes de fugirem.
Sem imagens e com depoimentos conflitantes, o paradeiro de Júnior Silvino permanece um ponto de interrogação. A família do jovem segue mobilizada e apela às autoridades para que o caso não caia no esquecimento e que novas diligências de campo sejam efetuadas na região mineira onde ele foi visto pela última vez.



