quinta-feira, agosto 13, 2026
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PM vai acompanhar Funai na demarcação de terras indígenas


Xucuru_Kariri/Instagram – Arquivo

O imbróglio sobre a demarcação das terras indígenas Xucuru-Kariri, em Palmeira dos Índios (AL), ganhou um novo episódio esta semana.  O Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) determinou que a Polícia Militar de Alagoas acompanhe e proteja as equipes técnicas da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), garantindo o livre acesso aos imóveis durante…

O imbróglio sobre a demarcação das terras indígenas Xucuru-Kariri, em Palmeira dos Índios (AL), ganhou um novo episódio esta semana.  O Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) determinou que a Polícia Militar de Alagoas acompanhe e proteja as equipes técnicas da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), garantindo o livre acesso aos imóveis durante as atividades de campo.

Na decisão, o desembargador federal Manoel Erhardt suspendeu ainda o procedimento criado pela Justiça Federal de primeira instância para identificar e ouvir ocupantes não indígenas da região.

A determinação judicial se deu após análise do recurso impetrado pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Defensoria Pública da União (DPU).

A DPU explicou que as equipes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) enfrentam dificuldades para realizar os levantamentos na área durante o processo de demarcação. Por conta da resistência de ocupantes não indígenas à entrada das equipes da Funai, incluindo recusa de acesso aos imóveis e ameaças a servidores, a Justiça Federal criou um procedimento chamado incidente de justificação da anterioridade possessória, com pré-cadastro eletrônico e um mutirão de audiências. O objetivo era ouvir os ocupantes e verificar informações sobre a origem, a antiguidade e a continuidade das posses, especialmente eventual ocupação anterior a 5 de outubro de 1988.

Entretanto, o defensor regional de Direitos Humanos de Alagoas, Diego Alves, destaca que a realização do mutirão não foi solicitada pelos entes envolvidos. “Na audiência, não foi solicitada a realização de um mutirão para ouvir os ocupantes. O que a DPU defendeu foi a continuidade imediata dos trabalhos da Funai, com apoio policial nos casos de resistência. A criação desse procedimento acrescentaria uma etapa ao cumprimento de uma sentença que já reconheceu o direito territorial dos Xucuru-Kariri e poderia prolongar ainda mais a conclusão da demarcação.”

A audiência de conciliação, realizada em de junho de 2026, discutiu as dificuldades e os riscos enfrentados pelas equipes da Funai durante os trabalhos de campo. Na ocasião, a Defensoria argumentou que os trabalhos de cadastramento e vistoria fossem realizados em duas frentes: de forma imediata nos imóveis onde não houvesse oposição e, nos locais em que houvesse resistência, com a individualização dos ocupantes para posterior solicitação de mandados judiciais específicos de ingresso forçado, com apoio policial.

A decisão do TRF5 foi proferida em 7 de agosto de 2026, pelo desembargador federal Manoel Erhardt.

O relator considerou que a realização do mutirão não é pertinente à atual fase de cumprimento de sentença e poderia prolongar ainda mais a conclusão da demarcação da Terra Indígena Xucuru-Kariri, que já se arrasta há mais de uma década.

A decisão do TRF5 destaca a resistência de ocupantes não indígenas e o risco à segurança dos agentes públicos da Funai, que já haviam cadastrado cerca de 140 dos aproximadamente 440 imóveis.

Ameaças e tentativas de intimidação elevam tensão em debate sobre demarcação indígena em Palmeira dos Índios

Demora no processo de demarcação

A área em disputa, localizada em Palmeira dos Índios, possui 6.927 hectares e foi reconhecida pelo Estado brasileiro por meio da Portaria nº 4.033, de 15 de dezembro de 2010. Em 2015, sentença da Justiça Federal determinou a conclusão da demarcação física, o levantamento e a avaliação das benfeitorias e a concessão da posse definitiva da área aos indígenas, inclusive com a retirada dos ocupantes não indígenas. O cumprimento da sentença tramita desde 2019.

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Petição à CIDH

A decisão integra um conjunto de iniciativas da DPU em defesa dos direitos do povo Xucuru-Kariri. Em maio de 2026, a instituição apresentou petição à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), com pedido de medidas cautelares, diante da demora na conclusão do processo demarcatório e dos riscos enfrentados pela comunidade e por suas lideranças.

Na petição, a DPU apontou possíveis violações de direitos previstos na Convenção Americana sobre Direitos Humanos e pediu que a CIDH considere medidas relacionadas à conclusão do processo demarcatório, à regularização da ocupação da área e à proteção e reparação em favor das comunidades e lideranças Xucuru-Kariri.

Acesso às aldeias

Também recentemente, em março de 2026, DPU e MPF ajuizaram ação civil pública para garantir a pavimentação das vias de acesso às dez aldeias Xucuru-Kariri da região. A ação aponta que as condições das estradas dificultam o acesso das comunidades a serviços de saúde, educação e transporte, especialmente durante o período de chuvas.

“As instituições vêm atuando há anos na defesa dos direitos da população Xucuru-Kariri, com iniciativas voltadas à melhoria do acesso às comunidades, à garantia de moradias dignas e à proteção de outros direitos básicos”, concluiu o defensor.

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Fonte: Alagoas 24h

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