domingo, julho 5, 2026
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Prazo para entrada em vigor de novas tarifas dos EUA termina em dez dias; governo espera por mais uma reunião de negociação


Ameaça de novas tarifas – Departamento de Comércio dos Estados Unidos acusa governo brasileiro de práticas injustas ou discriminatórias | Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Equipes técnicas dos governos do Brasil e dos Estados Unidos devem se reunir nesta semana em preparação para um último encontro de alto nível entre os dois países antes de 15 de julho. Esse é o prazo final para os Estados Unidos decidirem se vão colocar em prática tarifas adicionais sobre produtos brasileiros (entenda mais…

Equipes técnicas dos governos do Brasil e dos Estados Unidos devem se reunir nesta semana em preparação para um último encontro de alto nível entre os dois países antes de 15 de julho.

Esse é o prazo final para os Estados Unidos decidirem se vão colocar em prática tarifas adicionais sobre produtos brasileiros (entenda mais abaixo).

O Brasil tenta reverter ao menos parte da nova ofensiva proposta pelo governo de Donald Trump em junho deste ano que pode elevar a carga total a 37,5% no país, caso as medidas sejam implementadas:

  • proposta de tarifa adicional de 25%, justificada por Washington com base em supostas práticas comerciais desleais; e
  • sobretaxa de 12,5%, vinculada à alegação de falta de ações suficientes contra o trabalho forçado.

Na última quinta-feira (2), o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Márcio Elias, teve uma reunião virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para seguir nas negociações.

No encontro, a equipe brasileira propôs um “mapa do caminho”, com estratégias e ações, como última cartada.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou medidas para ampliar as garantias de que as práticas adotadas pelo Brasil não oneram e nem restringem o comércio com os norte-americanos.

O governo segue irredutível em relação ao PIX — sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central — mas se abriu às negociações para ampliar medidas nas demais áreas que preocupam a gestão de Donald Trump.

  • tarifas preferenciais desleais;
  • acesso ao mercado de etanol;
  • proteção da propriedade intelectual;
  • combate à corrupção; e
  • desmatamento ilegal.

Segundo integrantes do governo Lula, a proposta do “mapa do caminho” foi finalizada em conversa com o petista no último dia 24, antes e durante o jogo da Seleção Brasileira contra a Escócia na Copa do Mundo.

Lula se reuniu no Palácio da Alvorada com aliados e auxiliares para assistir à partida, que terminou com a vitória do time brasileiro.

Na ocasião, Lula deu o aval para a proposta e sinalizou para sua equipe que as medidas poderiam ser apresentadas para o Representante de Comércio dos Estados Unidos.

De acordo com interlocutores do presidente, o “mapa do caminho” foi um pedido do governo americano para que o Brasil apresentasse algo na reunião da última quinta (veja foto abaixo).

Partida da Seleção Brasileira pela Copa do Mundo 2026 — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da RepúblicaPartida da Seleção Brasileira pela Copa do Mundo 2026 — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República

Planalto não espera reversão completa

Sob reserva, auxiliares do presidente Lula dizem que não acreditam mais em uma reversão completa do tarifaço.

Afirmam que o governo vai tentar esgotar as negociações, como tem orientado o presidente Lula, mostrando os números do comércio entre os dois países e apresentando argumentos técnicos.

Mas a avaliação é que a decisão do USTR tem motivações políticas e não técnicas, assim, dizem avaliar que, no máximo, pode haver alguma exceção ou eventual redução de taxa, mas não a reversão completa da medida.

O USTR é o órgão responsável por formular e negociar a política comercial dos EUA. Ele conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e pode recomendar medidas como a imposição de tarifas.

Segundo esses integrantes do Palácio do Planalto, há uma “linha de diálogo” entre os dois governos, que deve ser mantida, com reuniões entre representantes dos presidentes Lula e Donald Trump.

Na última quarta-feira (1º), o Ministério das Relações Exteriores enviou o documento em que formaliza a resposta oficial do governo brasileiro à investigação pelos EUA das práticas comerciais brasileiras. Assinada pelo chanceler Mauro Vieira, a manifestação foi entregue no último dia do prazo previsto.

No texto, o ministro afirma que as críticas do governo americano ao PIX e a decisões da Justiça brasileira não têm relação com comércio, mas com divergências sobre políticas internas.

No início de junho, o USTR concluiu uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e concluiu que determinadas políticas brasileiras seriam “irracionais” ou “restritivas” ao comércio americano.

Como consequência, propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

O relatório cita temas como o funcionamento do PIX, a regulação de plataformas digitais, acordos comerciais firmados pelo Brasil, combate ao desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol, proteção à propriedade intelectual e políticas anticorrupção.

Paralelamente, outra investigação conduzida pelos EUA concluiu que dezenas de países, incluindo o Brasil, não estariam fiscalizando adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Nesse caso, o governo americano propôs uma sobretaxa adicional de 12,5%.

A proposta tem como base a Seção 301, o mesmo instrumento legal utilizado para embasar a sugestão de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

Antes de entrar em vigor, porém, a medida também passará por consulta pública. O governo americano realizará uma audiência pública nos dias 6 e 7 de julho para discutir a proposta.

Na avaliação de órgãos do governo brasileiro, as duas medidas podem ser cumulativas, elevando a taxação total para até 37,5% sobre parte dos produtos exportados aos EUA.

A proposta ainda não entrou em vigor. Antes de qualquer medida ser implementada, o governo americano precisa concluir o processo de consultas públicas.

Caso sejam confirmadas, as tarifas poderão atingir parte das exportações brasileiras aos EUA, embora o governo americano já tenha sinalizado uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos, incluindo café, carne, frutas, aeronaves, fertilizantes e minerais críticos.





Fonte: Alagoas 24h

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