Polícia investiga morte de mulher 5 dias após parto em hospital de Bangu; bebê está internada em estado grave — Foto: Reprodução/TV Globo
A recém-nascida filha da mulher que morreu 5 dias após o parto faleceu na manhã desta quinta-feira (17). A bebê estava internada na UTI neonatal do Hospital Municipal Albert Schweitzer desde o final da tarde desta terça-feira (15), dois dias após a morte da mãe, também com infecção. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do…
A recém-nascida filha da mulher que morreu 5 dias após o parto faleceu na manhã desta quinta-feira (17). A bebê estava internada na UTI neonatal do Hospital Municipal Albert Schweitzer desde o final da tarde desta terça-feira (15), dois dias após a morte da mãe, também com infecção.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio, “apesar de receber todos os cuidados indicados e de todo o esforço da equipe médica, o bebê não resistiu e faleceu na manhã de hoje (17).”
Jessica Duarte Gonçalves morreu cinco dias depois de dar à luz a terceira filha no Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Ela começou a apresentar fortes dores abdominais e, segundo a família, recebeu alta da unidade ainda com os sintomas.
A causa da morte da mãe foi em decorrência de choque misto, coagulação intravascular disseminada (CID), sepse puerperal e atonia uterina, que é quando o útero não se contrai adequadamente após o parto.
A bebê Jade estava internada com infecção. Nesta quinta, o pai foi chamado ao hospital para fazer exames após apresentar febre.
Jéssica deu entrada no Hospital da Mulher Mariska Ribeiro no dia 8 de setembro para o nascimento da terceira filha. Segundo o marido, Jonathan Vieira de Moura, a gravidez havia transcorrido sem complicações e o parto foi normal.
A bebê, Jade, nasceu saudável, com quase quatro quilos. Depois do parto, no entanto, Jéssica começou a reclamar de fortes dores abdominais.
Segundo Jonathan, a mulher não passou por exames de imagem para investigar a causa das dores. Ele afirma que ela recebeu soro e dipirona.
“Olharam minha mulher e falaram assim: bota ela no soro e dá dipirona. E fizeram isso nela. Entrou uma senhora na sala, olhou ela, enfiou a mão nela e começou a tirar umas coisas, coágulo. Aí falou para ela assim: ‘Nossa, deixaram isso dentro de você?’. E nada de melhorar, a dor piorando, piorando. Médica foi, bateu na barriga dela, falou que era gases”, contou o marido.
Mesmo com as dores e a barriga inchada, segundo a família, Jéssica recebeu alta 48 horas após o parto.
Polícia investiga morte de mulher 5 dias após parto em hospital de Bangu — Foto: Reprodução/TV GloboJonathan contou que, cerca de uma hora depois de chegar em casa, os sintomas da mulher pioraram. Ele decidiu levá-la novamente ao Hospital da Mulher Mariska Ribeiro.
Segundo o marido, Jéssica chegou em estado grave e precisou ser intubada. Desesperado, ele gravou uma conversa com uma funcionária da unidade.
“Ela está com um quadro de infecção e essa infecção está se generalizando”, disse a funcionária, segundo a gravação feita pelo marido.
Jéssica foi transferida para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, também na Zona Oeste, onde passou por uma cirurgia para retirada do útero e dos ovários.
Ela morreu no domingo (13), aos 28 anos.
Segundo o atestado de óbito, Jéssica morreu em decorrência de choque misto, coagulação intravascular disseminada (CID), sepse puerperal e atonia uterina, que é quando o útero não se contrai adequadamente após o parto.
A Polícia Civil investiga se houve negligência no atendimento prestado à mulher.
Hospital nega falta de avaliação
Em nota, o Hospital da Mulher Mariska Ribeiro informou que Jéssica passou por todas as avaliações indicadas para o pós-parto e apresentava boas condições gerais.
Segundo a unidade, ela recebeu alta 48 horas depois do parto, “sem queixas que indicassem sinal de gravidade”.
O marido contesta a versão.
“Isso é mentira. Ela não melhorou. Por que não fizeram os exames que tinham que ser feitos na hora, quando ela estava após o parto sentindo muita dor?”, questionou Jonathan.
Desde terça-feira (15), o RJ2 questiona a Secretaria Municipal de Saúde sobre o motivo de não ter sido realizado exame de imagem para investigar as dores intensas relatadas pelo marido antes da alta. Até a última atualização desta reportagem, a secretaria não havia respondido.



