O dia 3 de outubro de 2026 já está marcado na história do futebol feminino do Brasil. Após uma soberania absoluta do Corinthians, vencedor das seis edições anteriores, de sete das últimas oito e finalista pela décima vez consecutiva do Campeonato Brasileiro A1, o São Paulo empatou com o rival neste sábado por 1 a 1, no Morumbis e, com a vitória no jogo de ida, confirmou o título inédito da competição.
De quebra, jogando em casa, a torcida tricolor bateu recorde de público em partidas entre clubes na América do Sul. Foram exatas 49.405 pessoas presentes no estádio, fazendo e presenciando a história. A TV Brasil transmitiu a partida ao vivo para todo o país.
O confronto final do campeonato começou com roteiro parecido com o do primeiro duelo da final. Naquela ocasião, o Corinthians, que era o mandante na Neo Química Arena, abriu o placar antes dos 10 minutos e sofreu o empate por volta dos 20 (o Tricolor viria a virar e vencer por 2 a 1).
Neste sábado, foi o São Paulo que marcou primeiro aos 10 minutos. Bia Menezes recebeu pela esquerda e, quando todos esperavam que ela fizesse o cruzamento para a área, a lateral procurou o gol e, mesmo com ângulo desfavorável, surpreendeu a goleira Nicole para colocar as Soberanas na frente.
O Tricolor passava a ter uma frente de dois gols e ao Corinthians só restava ir atrás da virada. Aos 18, as Brabas receberam um presente. Após lançamento longo que não causou problemas, tudo parecia sob controle para o São Paulo. No entanto, ao tentar afastar, a goleira Carlinha jogou a bola diretamente no pé de Juliete. O desvio foi suficiente para a bola entrar e igualar o placar.
O susto deixou o São Paulo alerta novamente. As Soberanas chegaram a marcar de novo aos 23 minutos, com Crivelari, de cabeça, mas a posição de impedimento foi assinalada.
Na volta do intervalo, o Corinthians adiantou suas linhas e passou a pressionar mais a saída do São Paulo do seu próprio campo. As Soberanas cometeram alguns erros, que proporcionaram chances às Brabas. Jaqueline arriscou de fora da área para defesa de Carlinha e, poucos minutos depois, Jhonson recebeu no meio da defesa tricolor já dentro da área mas acabou chutando para fora.
Aos 20 minutos, veio o lance capital. Após cobrança de falta pela direita, Robinha puxou Érika dentro da área e o VAR alertou. Pênalti para o Timão. Um gol igualaria o placar agregado da decisão e levaria a definição para mais penalidades.
No entanto, não foi o que aconteceu. Gabi Zanotti cobrou fraco, no canto esquerdo e Carlinha defendeu sem dar rebote.
Dali em diante, os dois times partiram em busca de um último golpe e o jogo ficou mais aberto, porém sem a organização suficiente para que mais chances realmente perigosas fossem criadas.
O primeiro êxtase veio na reta final, quando o público presente foi anunciado, estabelecendo o novo recorde, superando, aliás, uma partida da final de 2024, em que o Corinthians levou mais de 44 mil pessoas à Neo Química Arena para testemunharem o título diante justamente do São Paulo.
Num final tenso, com mais de nove minutos de acréscimo, o torcedor tricolor pôde enfim vibrar com o título inédito no Morumbis recheado de gente.
A conquista do São Paulo interrompeu a sequência do Corinthians mas estendeu outra: pelo décimo campeonato consecutivo, um time paulista levantou a taça. Foram sete conquistas do Timão, além de uma de Santos, Ferroviária e São Paulo cada.



