quarta-feira, outubro 7, 2026
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‘Serial Killer’ é condenado pela nona vez


O réu, Albino Santos de Lima com o advogado de defesa, Geoberto Luna

O Tribunal do Júri da 9ª Vara Criminal de Maceió, sob a presidência do juiz Geraldo Amorim, condenou o réu Albino Santos de Lima a mais 30 anos de reclusão em regime fechado pelo assassinato da jovem Mikaele Leite da Silva. Com essa nova sentença obtida nesta quarta-feira (7), o homem apontado como o maior…

O Tribunal do Júri da 9ª Vara Criminal de Maceió, sob a presidência do juiz Geraldo Amorim, condenou o réu Albino Santos de Lima a mais 30 anos de reclusão em regime fechado pelo assassinato da jovem Mikaele Leite da Silva. Com essa nova sentença obtida nesta quarta-feira (7), o homem apontado como o maior “serial killer” da história recente de Alagoas acumula um total de penas que já ultrapassa a marca de 234 anos de prisão.

Representado pela promotora de Justiça Adilza de Freitas, o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) comprovou que o acusado agiu de forma fria, planejada e motivado por futilidade e torpeza. A acusação desmantelou a tese defensiva de insanidade mental e provou aos jurados que o criminoso mantinha um catálogo digital de “troféus” com as fotos e as datas de execução de suas vítimas.

O crime e o perfil da vítima

Mikaele Leite da Silva tinha 21 anos, era a irmã caçula entre quatro mulheres e deixou um filho de apenas 6 anos. O homicídio ocorreu por volta das 19h no conjunto Joaquim Leão, na Travessa Nova Esperança, localizada no bairro Vergel do Lago, em Maceió, em outubro de 2023.

O acusado surpreendeu a jovem em via pública e efetuou cinco disparos à queima-roupa em diversas partes do corpo, atingindo inclusive a sua cabeça. O Samu chegou a ser acionado no local, mas apenas constatou o óbito da vítima.

Mikaele Leite da Silva

Apesar de especulações iniciais sugerirem que o acusado tentava reatar um antigo relacionamento amoroso, a promotoria provou que nunca existiu vínculo afetuoso entre os dois. Albino utilizou o perfil falso @guerracomanf, ilustrado com a imagem do Arcanjo Miguel, para invadir uma transmissão ao vivo nas redes sociais em que Mikaele participava. Na ocasião, ele ofereceu R$ 250,00 em dinheiro para ter relações sexuais com a jovem.

A recusa e a indiferença de Mikaele revoltaram o réu, que passou a monitorar os passos da vítima de forma obsessiva até o dia da execução.

Logo após o ataque, o acusado criou uma pasta em seu computador onde armazenou a imagem da vítima e a data da morte como marcação de “conquista”. Dois meses depois, seguindo o mesmo padrão prediatório, ele perseguiu e assassinou a amiga de Mikaele que também aparecia na mesma transmissão online.

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Em reportagem nacional e exames exibidos durante a sessão, o próprio réu destacava sua preparação tática ao afirmar: “eu sou altamente treinado, não somente para o uso de armas de fogo”.

Bastidores tensos e drama familiar no plenário

O julgamento reuniu momentos de extrema emoção. Michele Leite, irmã da vítima, acompanhava os debates no plenário, mas passou mal diante da forte carga emotiva e precisou deixar a sala para receber atendimento médico.

A família confirmou que a guarda do filho de Mikaele foi transferida pacificamente para a avó paterna, uma vez que a família materna trabalha em dois turnos diários e não possui disponibilidade de horário para assumir a criação do menino.

Antes de projetar no telão as fotos periciais do corpo e os laudos psiquiátricos, a promotora solicitou que os parentes da vítima baixassem a cabeça. Em seguida, fez um alerta ostensivo aos pais e jovens sobre os perigos da exposição excessiva no ambiente virtual.

A promotoria rebatia com veemência a alegação do réu de que atuava sob o comando de vozes místicas e relembrou os questionamentos feitos a Albino sobre a suposta entidade:

“Perguntei a ele se alguma vez o Arcanjo mandou que ele se mutilasse, ele disse que não. Perguntei se o Arcanjo já mandou se matar, ele disse que não, mas afirmou que já mandou ele pular de algum lugar. Questionei: mas, o senhor não pulou”

Promotora de Justiça Adilza de Freitas

Ao definir a personalidade do serial killer, a representante do MPAL declarou:

“Ele mata por prazer, ele não tem arrependimento, não tem remorso”

Lamentando a impossibilidade constitucional de penas perpétuas no sistema judiciário brasileiro perante homicídios em série tão banais, ela desabafou:

“deveria ser diferente, deveria haver no Brasil , para esse tipo de criminoso, a prisão perpétua”

Defesa buscou ininputabilidade

O advogado de defesa Geoberto Luna buscou a absolvição imprópria baseada em ininputabilidade por insanidade mental, argumentando que Albino sofre de distúrbios psíquicos graves e possui histórico de esquizofrenia na família. Ele narrou uma passagem da infância do acusado para tentar sensibilizar os jurados, afirmando que, aos 10 anos, Albino exigia que a mãe fizesse dois lanches para doar um a uma colega carente na escola.

Ao se dirigir ao público e aos jurados para justificar sua atuação técnica no processo, o defensor declarou:

“Porque eu estou aqui defendendo o Albino, porque se eu não estivesse aqui, quem estaria pagando a defesa dele eram vocês, pois quem estaria aqui era um defensor público. Peço desculpas a vocês, aos familiares, mas é minha missão”

E completou em seguida:

“então é melhor que ele mesmo pague”

Geoberto Luna defendeu que o réu foi “possuído por uma coisa qualquer que se chama Arcanjo Miguel” e negou a oferta em dinheiro antes da execução. A tensão escalou quando o advogado tentou fazer comentários negativos sobre o comportamento da vítima, provocando a intervenção imediata do Ministério Público com base no Código Penal, que veda qualquer tentativa de vilipendiar a imagem de vítimas em julgamentos.

Aos gritos, o advogado encerrou sua exposição apelando para a tese de incapacidade mental:

“quero dizer aqui que esse rapaz nunca ofereceu dinheiro pra essa moça, nunca teve contato com ela e dizer que o mentor do crime foi o Arcanjo Miguel. Ele é doido, absolutamente doido e incapaz”

Ele concluiu alegando falta de discernimento do réu:

“Apesar dos laudos , depois dos vídeos aqui apresentados, das respostas dadas, do Arcanjo Miguel, posso afirmar que ele é maluco de pai e mãe. Ele não cometeu o crime, quem cometeu foi a mente dele”

Histórico de condenações do Serial Killer

Preso pelas forças de segurança pública em 2024, Albino Santos de Lima já acumulava oito condenações que somavam mais de 200 anos de reclusão antes deste júri. Com o novo decreto condenatório de 30 anos de reclusão estipulado pelo juiz Geraldo Amorim, o total de penas do serial killer atinge patamares históricos na Justiça alagoana, 234 anos, um mês e 3 dias

Confira a linha do tempo das condenações anteriores do réu:

Com a decisão soberana do Conselho de Sentença que rejeitou as teses da defesa, o réu retorna ao sistema prisional para o cumprimento da nova pena de 30 anos de reclusão.





Fonte: Alagoas 24h

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