Imagens de câmeras de videomonitoramento registraram toda a dinâmica do grave acidente que tirou a vida da ciclista Jaqueline Alves da Silva, de 39 anos, na tarde da última sexta-feira (18), na Avenida Vieira de Brito, no bairro São Cristóvão, em Palmeira dos Índios, no Agreste alagoano.
As gravações obtidas pelas autoridades revelam detalhes cruciais da tragédia ocorridas por volta das 16h30. Nos vídeos de segurança, é possível ver o momento exato em que Jaqueline trafega tranquilamente em sua bicicleta pela via enquanto o caminhão do tipo caçamba se aproxima. Com a proximidade do veículo pesado, as câmeras mostram a ciclista perdendo o equilíbrio e caindo no asfalto. Na sequência das imagens, o caminhão passa por cima da vítima sem parar a tempo.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) socorreu a trabalhadora até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Palmeira dos Índios. No entanto, apesar das tentativas de reanimação, ela não resistiu à gravidade das lesões e faleceu pouco após dar entrada na unidade de saúde.
Família cobra Justiça e nega embriaguez
Com base nas imagens de videomonitoramento espalhadas pela avenida, a família de Jaqueline cobra a responsabilização criminal do motorista. A irmã da vítima, Maria Luisa, contestou veementemente rumores de que a ciclista estivesse sob efeito de álcool e destacou que os vídeos comprovam a gravidade da manobra do condutor.
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Maria Luisa reforçou que Jaqueline voltava para casa, no Conjunto Brivaldo Medeiros, após encerrar uma jornada de trabalho doméstico e que deixa um filho com necessidades especiais que dependia inteiramente de seus cuidados:
“Eu quero justiça porque ele tirou a vida de uma mãe de família, uma avó. Ela tem um filho que é doente especial, precisava muito dela. Ele fez isso com a minha irmã. Matou e falou que minha irmã estava bêbada. Minha irmã não estava bêbada, minha irmã estava saindo do trabalho”, desabafou Maria Luisa a um portal de notícias local.
Bafômetro negativo na PRF e discussão gravada por testemunhas
Após o atropelamento, agentes policiais conduziram o condutor da caçamba até um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), onde ele realizou o teste do bafômetro (etilômetro), cujo resultado apontou 0,0 mg/l de álcool no sangue. Apesar do resultado negativo para embriaguez ao volante, a Polícia Civil analisa o vídeo da câmera de segurança e colhe depoimentos para determinar se houve imprudência ou negligência na condução do veículo.
Com base nas gravações e em relatos de populares que presenciaram a cena, a familiar da vítima revelou que o motorista ainda teria tentado fugir do local, sendo contido por um morador da região:
“Ele ainda tentou fugir. Eu não estava no momento, mas disseram que um rapaz tentou parar ele. Ele ainda falou muita coisa com o rapaz, discutiu com o rapaz, queria passar a caçamba por cima do rapaz. […] No vídeo dá para ver quando ele bate na minha irmã. Dava para ele parar, mas não. Ele seguiu, passou por cima da minha irmã. Então ele matou. Ele tem culpa, sim, e eu quero justiça. Ela era uma pessoa boa, maravilhosa, dedicada ao filho dela. Minha irmã era uma excelente pessoa. Ele tirou a vida dela e vai ter que pagar. Espero que a justiça seja feita”, declarou.
O companheiro de Jaqueline, José Erivan, também pedalava em outra bicicleta no mesmo trajeto no momento da tragédia. Ele relatou que seguia alguns metros à frente e não presenciou diretamente a queda captada pelas câmeras, sendo alertado logo em seguida:
“Eu vim numa bicicleta, ela vinha em outra. Aí eu passei por ela. Quando eu passei, que eu já vinha descendo, eu vi o Bruno e ele disse: ‘Ela se acidentou’”, recordou José Erivan.
O corpo de Jaqueline Alves da Silva passou por autópsia no Instituto Médico Legal (IML) de Arapiraca. O velório ocorre no Conjunto Brivaldo Medeiros e o sepultamento está marcado para este domingo (20), no Cemitério São Gonçalo, em Palmeira dos Índios.



