Daniel Vorcaro
O advogado Sérgio Leonardo, que faz parte da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, disse que irá recorrer ao plenário do Supremo Tribunal Federal caso o presidente da Corte, Edson Fachin, o mantenha preso. A declaração foi dada em entrevista à Globonews nesta sexta-feira (18). “A defesa confia no Supremo Tribunal Federal e não escolhe o…
O advogado Sérgio Leonardo, que faz parte da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, disse que irá recorrer ao plenário do Supremo Tribunal Federal caso o presidente da Corte, Edson Fachin, o mantenha preso. A declaração foi dada em entrevista à Globonews nesta sexta-feira (18).
“A defesa confia no Supremo Tribunal Federal e não escolhe o julgador. Se o caso momentaneamente está com o presidente, nós fazemos o pedido ao presidente. Ser ele indeferir o nosso pedido, nós vamos recorrer para o Plenário do Supremo Tribunal Federal. Que o presidente não relata processos nas turmas. Então, se o caso está com o presidente, o órgão competente será o Plenário do Supremo Tribunal Federal”, afirmou.
O pedido é direcionado a Fachin e não a Mendonça porque, no dia 12 de setembro, presidente proferiu uma decisão determinando que a PET 15.556 fosse remetida ao seu gabinte, junto de todos os processos conexos. O caso é a petição em que foi decretada a prisão preventiva de Daniel Vorcaro em novembro de 2025.
A fala de Leonardo ocorreu depois dele ser questionado se a defesa ainda se sente confortável com a Segunda Turma do Supremo, após as revelações sobre o colegiado. O grupo é formado por 5 ministros:
- Dias Toffoli, que se declarou suspeito no inquérito original do qual era relator e no julgamento que analisaria o relatório da Polícia Federal a respeito da relação de Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes por suspeição de foro íntimo;
- Nunes Marques, que se declarou impedido de participar do julgamento de terça-feira alegando que, por ser presidente do Tribunal Superior Eleitoral, não se sentia confortável em participar do julgamento e cujo filho foi citado em diálogos de Vorcario mencionando supostos pagamentos de R$500 mil;
- Luiz Fux, cujo filho aparece em diálogos vazados do celular do banqueiro;
- André Mendonça, cuja atuação enquanto relator do caso Master ainda será analisada pelo plenário do Supremo;
- Gilmar Mendes, decano da Corte que tem defendido o procurador-geral da República, Paulo Gonet, mencionado no relatório da PF que seria analisado pelos ministros.
Segundo Leonardo, a defesa de Vorcaro não irá questionar o voto passado de Nunes Marques em que ele referendou a manutenção da prisão preventiva do ex-banqueiro. “O que a gente espera para o futuro, se o ministro agora entendeu que não pode mais participar dos julgamentos, que tenha coerência […] Nós não vamos questionar a legalidade daquele julgamento ou da participação dele quando a prisão foi referendada. Nosso foco, agora, é no reexame da prisão preventiva”, declarou. “A defesa do Daniel Vorcaro em nenhum momento questionou ou alegou suspeição em relação a nenhum magistrado.”
Questionado sobre a possibilidade de uma terceira tentativa de delação premiada, o advogado respondeu que, neste momento, a prioridade da defesa é o “reestabelecimento da liberdade do Daniel Vorcaro”. Segundo o advogado, mesmo se houvesse uma nova colaboração em curso, ele não poderia falar sobre o assunto por conta do termo de confidencialidade. “Em liberade, ele pode defender-se de todas as acusações que são feitas de forma excessiva e descontextualizada”.
Vorcaro foi preso pela segunda vez há mais de seis meses e atualmente ocupa uma cela no 19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal, conhecido como Papudinha. A defesa, por sua vez, reforça o prazo legal de 90 dias para o exame da manutenção da prisão preventiva a ser feito pelo órgão responsável.



