Homem é morto a tiros após discussão entre vizinhos em SP — Foto: Reprodução/TV Globo
Uma discussão entre vizinhos terminou com um homem assassinado a tiros na tarde de quarta-feira (19), na região do Aricanduva, na Zona Leste de São Paulo. O atirador também disparou contra o filho da vítima, de 18 anos, segundo a polícia. O crime aconteceu na Praça Coronel Antônio Pestscher, entre as ruas Bonifácio Gomes de…
Uma discussão entre vizinhos terminou com um homem assassinado a tiros na tarde de quarta-feira (19), na região do Aricanduva, na Zona Leste de São Paulo. O atirador também disparou contra o filho da vítima, de 18 anos, segundo a polícia.
O crime aconteceu na Praça Coronel Antônio Pestscher, entre as ruas Bonifácio Gomes de Siqueira e Marechal Marques Pôrto, no Jardim Caguassu.
A vítima foi Leonardo dos Santos Almeida, de 57 anos, conhecido na vizinhança como “Pico”. Ele era dono de uma oficina mecânica no local, onde também morava com a mulher e os filhos. A casa da família fica nos fundos da oficina.
Segundo a polícia, o autor dos disparos foi Paulo Sérgio Gomes de Oliveira, de 56 anos. Até a tarde desta quinta-feira (20) ele seguia foragido.
Discussão começou após xingamento
De acordo com o boletim de ocorrência, Lucas, filho de Leonardo, estava na oficina trabalhando quando Paulo Sérgio passou pelo local e o ofendeu.
Ainda abalado, Lucas contou que Paulo Sérgio já tinha sido cliente da família e que a discussão começou depois que ele foi chamado de “noia”.
“Ele me xingou. E eu… a gente acabou indo tirar satisfação. Mas não deu nem tempo nem de conversar. Ele sacou e atirou”, contou Lucas.
Questionado sobre o que Paulo Sérgio havia dito, Lucas respondeu: “Passou aqui me encarando, me xingou de noia, do nada, e me chamou de noia e foi pra casa. Aí a gente foi chamar ele lá. Foi nessa que ele começou a atirar.”
Quando Leonardo chegou à oficina, pai e filho foram até a casa de Paulo Sérgio para tirar satisfação. Câmeras de segurança da rua registraram a discussão entre eles.
- Leonardo: “Você chamou o meu filho de nóia? Eu vou te quebrar, mano. Na madeira, na madeira eu vou te quebrar. Na madeira eu vou te quebrar.”
- Paulo Sérgio: “Não quebra nada.”
- Leonardo: “Não quebro?”
- Paulo Sérgio: “Só história.”
Em seguida, Lucas alerta o pai de que Paulo Sérgio estaria armado.
- Lucas: “Pai! Tá armado, pai.”
- Leonardo: “Tá armado?”
- Lucas: “Tá armado.”
- Leonardo: “Melhor ainda.”
- Lucas: “Tá armado.”
- Leonardo: “Melhor ainda.”
Na sequência, Lucas diz: “Você me chamou de nóia, ‘jhow’. Toda hora fica passando na minha casa me chamando de nóia.” Paulo Sérgio volta a insultar Lucas durante a discussão.
- Lucas: “Tá armado. Acabou de colocar a arma na cintura, aqui atrás.”
- Paulo Sérgio: “Vê aí se eu tô armado.”
- Lucas: “Tá de brincadeira, rapaz?”
- Paulo Sérgio: “Você é noia, rapaz.”
- Lucas: “Eu sou noia por quê? Você fica medindo rodinha?”
- Paulo Sérgio: “Você só fica zoando aí, rapaz.”
- Lucas: “Zoando o quê? Você já me viu na rua?”
- Paulo Sérgio: “Você já viu o meu filho em alguma biqueira? Seu arromb*** do car***. Seu arromb***. Seu c* de bu***. Eu vou f***** a sua vida, agora, seu c* de bu***.”
- Lucas: “F*** nada.”
- Paulo Sérgio: “Eu vou. Saca essa po*** aí pra mim.”
- Lucas: “Ó aqui, ó!”
- Paulo Sérgio: “É? Saca!”
De dentro de casa, Paulo Sérgio atira pela primeira vez. Nas imagens, pai e filho aparecem assustados logo depois do disparo. Lucas pergunta se Leonardo havia sido atingido.
- Leonardo: “Tomar no c*, rapaz.”
- Lucas: “Sai, pai! Sai, pai! Sai, pai!”
- Leonardo: “Espera aí, Hélio, mano! Deixa eu ligar pra polícia, mano.”
- Lucas: “Ele atirou em você, mano. Cadê? Acertou onde?”
Lucas então corre na direção da oficina, enquanto o pai parece digitar algo no celular. Pouco depois, o jovem reaparece segurando algo nas mãos. Com gritos ao fundo, Paulo Sérgio abre o portão da garagem e surge com a arma em uma das mãos. Todos correm.
Sem camisa, usando apenas bermuda e chinelo, Paulo Sérgio vai na direção da família e diz: “Não foge, não!”
Uma mulher também aparece nas imagens pedindo para que ele pare. Ao chegar à esquina, Paulo Sérgio aponta a arma na direção de Leonardo e Lucas e atira novamente.
Depois de fazer mais disparos, Paulo Sérgio foge. Um segundo vídeo mostra o suspeito descendo a rua, e é este o último registro dele.
‘Parece que perdi alguém da família’, diz vizinha
Berenice Gomes, auxiliar de limpeza, é vizinha da oficina e era amiga de Leonardo. Ela contou que os dois tinham contato diário e que ele a ajudava.
“Ele me ajudou muito. Acordava de manhã, saía, pegava as crianças dele, levava pra escola. O filho dele trabalha com ele. Fazia 18 anos. Acho que ia ser o último ano de escola do menino. Ele pegava o menino, levava de manhã pra escola. Quando o menino chegava, ficava trabalhando o dia inteiro. De domingo a domingo, viu? Ele e o filho. Dava oito horas da noite, oito e meia, ele já tava na casa dele, dormindo”, contou Berenice.
Segundo ela, Lucas era um jovem que não costumava se envolver em confusão.
“O menino é… um menino muito educado. O que você precisar dele… assim, igualzinho. Muito educado. Eu falava pra ele ‘olha, você tá de parabéns com esse filho seu, porque é um menino que você não vê no meio de bagunça, no meio de turma, né? O menino só vive trabalhando. Escola, trabalhar e… acho que ele fazia algum exercício, né?”
Ainda sem acreditar no que aconteceu, Berenice disse que a morte de Leonardo foi como perder alguém da própria família.



