A proximidade do fim do inverno e a chegada de uma estação mais quente também sinalizam uma mudança no comportamento de consumo dentro dos supermercados. À medida que as temperaturas começam a subir, o carrinho tende a incorporar produtos associados aos dias mais quentes, como bebidas, carnes para churrasco, frutas, gelo e itens de cuidados…
A proximidade do fim do inverno e a chegada de uma estação mais quente também sinalizam uma mudança no comportamento de consumo dentro dos supermercados. À medida que as temperaturas começam a subir, o carrinho tende a incorporar produtos associados aos dias mais quentes, como bebidas, carnes para churrasco, frutas, gelo e itens de cuidados pessoais. Para o setor supermercadista, acompanhar a sazonalidade significa antecipar movimentos do consumidor, ajustar estoques e exposição de produtos e transformar mudanças de hábito em oportunidades de venda.
Dados do Radar Sazonal da Scanntech mostram a força que esse movimento pode alcançar. Na comparação entre o último verão e o mesmo período do ano anterior, a seleção de produtos relacionados às altas temperaturas cresceu 7,8% em faturamento, enquanto o número de unidades vendidas ficou praticamente estável, com alta de 0,3%. A seleção reúne categorias como água, água de coco, bovinos in natura, cerveja, energético, frutas, gelo, isotônicos, pão de alho, protetor solar, refrigerantes, repelentes e sorvetes. Quando comparado à média de todo o ano de 2025, o faturamento desses itens ficou 14,1% acima, impulsionado principalmente pelo aumento de 11,1% no consumo.
Entre os alimentos, a mudança de temperatura também influencia as ocasiões de consumo. O bovino in natura, associado principalmente ao churrasco, foi o principal destaque da seleção, com alta de 13,6% em faturamento e 8,7% em unidades durante o período. O pão de alho, outro item ligado a refeições ao ar livre e encontros entre familiares e amigos, avançou 10,2% em faturamento e 4,5% em volume. As frutas in natura também ganharam espaço: o faturamento cresceu 4,7%, acompanhado de uma alta de 10,4% nas unidades vendidas.
As bebidas foram outro grupo diretamente impactado pelas temperaturas mais altas. Entre as não alcoólicas, categorias como energético, água, água de coco e gelo apresentaram crescimento tanto em faturamento quanto em unidades. O energético, por exemplo, avançou 14% em valor e 11,3% em volume, enquanto a água cresceu 12,1% em faturamento e 12% em unidades. Já no segmento de alcoólicas, a dinâmica foi diferente: a cesta teve alta de 4,7% em faturamento, mas queda de 9,1% nas unidades, mostrando a influência do aumento de preços sobre o resultado.
A sazonalidade também atravessa categorias que não estão tradicionalmente associadas à alimentação. No grupo de Higiene e Beleza, o protetor solar foi a única categoria a registrar crescimento em faturamento no verão analisado, com alta de 1,1%, embora tenha apresentado queda de 9,8% nas unidades. O desempenho reforça como itens de cuidados pessoais respondem às condições climáticas e como a intensidade do calor pode interferir diretamente na procura. Repelentes, inseticidas e bronzeadores também fazem parte desse conjunto de produtos que podem ganhar ou perder espaço de acordo com o comportamento das temperaturas.
De acordo com o gerente de vendas da Mafrios Distribuidora, Humberto Alves, a mudança de comportamento de compra do consumidor com a elevação das temperaturas é algo natural diante da busca por experiências proporcionadas pela nova estação. “Produtos para churrasco, carnes, frios, queijos, embutidos, bebidas, tendem a ganhar relevância. Além disso, itens de proteção solar e relacionados aos cuidados com a pele ganham destaque. Esse comportamento está alinhado ao que observamos em períodos sazonais. O consumidor está cada vez mais atento ao custo-benefício, mas também busca conveniência e experiências, o que fortalece o supermercado como destino para compras destinadas ao consumo”, pontua.
Para os supermercados, portanto, a transição entre as estações representa mais do que uma mudança no calendário: é um momento de revisão do mix, planejamento de estoque e organização dos pontos de venda. Com a chegada da primavera, entender esses movimentos permite ao varejo se preparar para um consumidor que, pouco a pouco, muda suas necessidades e também sua lista de compras.
“A preparação deve começar com antecedência, utilizando o histórico de vendas e o comportamento de consumo da loja para projetar a demanda. Em períodos sazonais, o planejamento antecipado permite equilibrar a disponibilidade dos produtos com o capital investido em estoque. Na prática, isso significa revisar o mix, ajustar os estoques, antecipar pedidos de categorias com maior potencial de crescimento e reforçar a exposição dos produtos. Nesse momento, é importante considerar não apenas as categorias tradicionalmente associadas ao aumento das temperaturas, mas também produtos que passam a ter maior relevância”, afirma Humberto, destacando que ações promocionais, combos e materiais de merchandising contribuem positivamente para o crescimento das vendas.



