quarta-feira, setembro 2, 2026
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Professor de escola particular em Maceió é condenado por racismo


Um estudante foi comparado a um macaco dentro da escola. Fonte: Cortesia

A Justiça de Alagoas condenou nesta quarta-feira, 2, um professor de matemática a sete anos e três meses de prisão, em regime fechado, pelos crimes de injúria racial e corrupção de menores, após o docente associar a imagem de um chimpanzé a um aluno negro de 13 anos dentro da sala de aula. O crime…

A Justiça de Alagoas condenou nesta quarta-feira, 2, um professor de matemática a sete anos e três meses de prisão, em regime fechado, pelos crimes de injúria racial e corrupção de menores, após o docente associar a imagem de um chimpanzé a um aluno negro de 13 anos dentro da sala de aula. O crime ocorreu no dia 12 de fevereiro de 2026, em uma escola particular no bairro Benedito Bentes, na parte alta de Maceió.

A ação penal, ajuizada em março pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) por meio das 59ª e 60ª Promotorias de Justiça da Capital, determinou também o pagamento de indenização de R$ 15 mil ao estudante por danos morais.

O que aconteceu

O caso começou quando um aluno levou para a sala de aula um caderno com a foto de um chimpanzé e perguntou ao docente com quem o animal se parecia. O professor apontou diretamente para o adolescente negro, provocando risos na turma. Câmeras de segurança registraram a cena, mostrando que a vítima permaneceu imóvel e constrangida.

À época do caso, a defesa do estudante, conduzida pelo advogado Alberto Jorge, relatou o impacto do episódio:

“O professor se aproximou e apontou para a criança negra que estava na sala de aula. Aí começou o bullying, porque todos os colegas começaram a rir. Ele ficou acuado, em silêncio. Chegou em casa calado, com o psicológico abalado, chorou muito junto ao pai, contando o que aconteceu“, explicou Alberto.

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Após a abertura do inquérito conduzido pela delegada Rebeca Cordeiro, da Delegacia Especial dos Crimes contra Vulneráveis Tia Marcelina, a instituição de ensino desligou o docente.

Em nota, a instituição informou que repudiava todo e qualquer ato de racismo, discriminação ou preconceito, e disse que entre as medidas adotadas estavam o afastamento do professor de matemática, que não integraria mais o quadro de colaboradores da instituição. A nota ressaltou ainda que o Conselho Tutelar de Maceió acompanhava o caso e que a escola permanecia à disposição para colaborar com as autoridades.

O próprio procedimento disciplinar instaurado pela escola registrou a versão apresentada pelo professor, que reconheceu ter apontado para o aluno, embora tenha negado qualquer intenção racista.

O adolescente ficou dois dias sem ir às aulas e só retornou ao colégio após saber da demissão do acusado. A investigação ouviu outros estudantes presentes na sala e solicitou o depoimento de um terceiro aluno que chamou a atenção do professor para a imagem.

Atuação do MPAL busca responsabilização e proteção

A promotoria reforçou que a gravidade da conduta se amplia pelo papel pedagógico do docente porque, conforme apontado na denúncia, o adulto não apenas teria dirigido a ofensa racial ao adolescente, mas praticado a conduta na presença e com a participação de outros estudantes, circunstância que fundamentou também a imputação pelo crime de corrupção de menores.

“A escola não pode ser espaço de reprodução ou naturalização do racismo. Professores e demais profissionais da educação têm responsabilidade fundamental na construção de um ambiente seguro, respeitoso e livre de discriminação, devendo atuar também na prevenção e no enfrentamento de situações de violência e preconceito”, argumentou o promotor de Justiça Ricardo Libório.

Veja mais: Professor acusado de comparar aluno a chimpanzé é indiciado por injúria racial

Na fase de inquérito, a delegada responsável enfatizou a dor relatada pelo jovem durante as oitivas:

“É uma situação triste e revoltante, que não deveria acontecer em lugar nenhum, especialmente em um ambiente escolar. O adolescente relatou que já tinha visto casos semelhantes na televisão, como o do jogador Vinícius Júnior, mas jamais imaginou que aconteceria com ele”, afirmou a delegada.

A promotora Dalva Tenório salientou a necessidade de aplicar a legislação com rigor em episódios de discriminação no ambiente de ensino.

“A proteção integral de crianças e adolescentes exige que situações dessa natureza sejam tratadas com seriedade, sem que sejam reduzidas a brincadeiras, piadas ou conflitos entre alunos. O Estatuto da Criança e do Adolescente assegura a proteção à dignidade e à integridade de pessoas menores de idade, enquanto a legislação brasileira criminaliza condutas de discriminação e injúria racial”, explicou a promotora Dalva Tenório.





Fonte: Alagoas 24h

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